De antemão, a história traz pelo menos uma grande novidade: será a primeira sem que nem Uderzo, nem Goscinny, os criadores dos personagens, estejam no comando do projeto.
O lançamento do livro vinha sendo badalado na França há quase um mês, e isso por bons motivos. Um total de dois milhões de exemplares foram impressos até aqui só na França e a expectativa da editora, Albert René, empresa do grupo Lagardère, é de que a nova aventura de Asterix bata o recorde do blockbuster anterior, O Dia em Que o Céu Caiu, publicado em 2005, e que vendeu nada menos de 3,2 milhões de exemplares em 27 países e em 13 línguas.
Em 2009, quando dos 50 anos do personagem, O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro teve receptividade bem menos calorosa. Críticos especializados na trajetória da tribo de gauleses há muito criticam a densidade histórica e a qualidade do humor dos livros do herói - mais precisamente desde 1977, quando morreu René Goscinny, escritor, roteirista e humorista e um dos criadores dos personagens. Desde então, a obra vinha a cargo de Albert Uderzo, o desenhista que deu vida aos gauleses ao lado de Goscinny.
Agora Uderzo, hoje com 86 anos, cede seu posto a dois novos protagonistas. Até por essa razão, o livro bem poderia se chamar Asterix entre os Eternos. A partir de agora, a turma será responsabilidade do roteirista Yves Ferri e do desenhista Didier Conrad, profissionais selecionados em uma disputa aberta pela Albert René, e que assumem a criação de futuras edições - uma estratégia que garantirá a sobrevida dos personagens bem além de seus dois idealizadores.
Fidelidade. Em sua aventura entre os Pictos, Asterix, Obelix, Ideafix e todos os principais líderes da tribo de gauleses rumam para a região onde hoje se situa a Escócia. Lá, eles se encontram com os pictos, os "homens pintados" que também aterrorizaram tropas enviadas por Roma. Eles formavam uma confederação de tribos britônicas que viveram no norte e no leste da Ilha de Bretanha até a invasão romana, no século 10.
Como de praxe nas viagens da turma, todo o cuidado foi tomado para que, além de bom humor, os quadrinhos também trouxessem uma base histórica, misturada, claro à pitada de ironia - e autoironia - que marca os livros.
Coube a Uderzo acompanhar a passagem de poder para Ferri e Conrad, de forma a garantir a fidelidade aos originais. Para mostrar como a transição foi feita em sintonia entre criador e herdeiros, a Albert René chegou a divulgar um vídeo de uma sessão de trabalho entre os três - uma rara oportunidade de ver Uderzo, que muito pouco fala em entrevistas. Na gravação, ele explica, por exemplo, as diferenças e semelhanças entre Asterix e Obelix, particularidades que precisam ser respeitadas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

