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Zagueiro Varane, da França, escapou por pouco de corte para assumir papel de líder na Copa

DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) - No intervalo do jogo entre França e Polônia pelas oitavas de final da Copa do Mundo, Didier Deschamps só esperou os jogadores tomarem uma água no vestiário para dar uma bronca geral.

Os franceses já venciam por 1 a 0, com um gol de Giroud, mas o treinador estaria irritado com os espaços que seus jogadores estavam deixando para o adversário.

Segundo o jornal francês L'Equipe, a orientação mais específica era para o meia Antoine Griezmann. O comandante queria que ele parasse de pedir a bola em todos os locais do campo e se preocupasse em cobrir o lateral Koundé.

Quando Deschamps parou de falar, outra voz se ergueu no vestiário. Era Raphael Varane, 29, um dos mais experientes e vice-capitão do time. Ele pareceria ainda mais irritado que o treinador.

"Estamos vivendo um sonho, mas esse sonho pode acabar a qualquer momento se continuarmos assim."

A França voltou com outra postura do intervalo. A maior prova disso foi que o segundo gol nasceu de um contra-ataque. E quem estava no campo de defesa para recuperar a bola era justamente Griezmann. O jogo terminou 3 a 1.

Ao ecoar a bronca do treinador, Varane mostrou mais uma vez por que é tão respeitado no elenco. Quando fala, é ouvido tanto pelos mais jovens quanto pelos mais experientes.

Sabendo de sua importância, o defensor fez nesta segunda-feira (12) um novo alerta, desta vez sobre o time de Marrocos, adversário da França na semifinal, na quarta-feira (14).

"Eles têm fortes contra-ataques, com boas ações individuais. Não estão aqui por sorte. Então, esperamos um jogo difícil", afirmou o zagueiro.

"Contra a Polônia, muitos jogadores não haviam jogado o jogo anterior, contra a Tunísia. Tivemos que reagir. Mas não há pressão baseada no adversário. É sempre alto nível, e não há diferença baseada em quem vamos enfrentar", completou.

Varane é reconhecido por sua capacidade de leitura de jogo. Não foi à toa que Deschamps esperou o máximo que pôde para contar com ele na Copa.

Em 22 de outubro, ele sofreu uma lesão na coxa direita. À época, o Manchester United, pelo qual o atleta atua na Premier League, informou que ele ficaria fora de combate o restante da temporada, até a Copa do Mundo. Mas não havia garantia de que ele se recuperaria a tempo do torneio.

Seria mais um problema para a extensa lista da França para o Mundial, que não parou de aumentar nem às vésperas do torneio. O atacante Karim Benzema foi o último a entrar nela, às vésperas da estreia.

Já estavam nela nomes de peso, como o volante N'Golo Kanté, o meia Paul Pogba, o atacante Christian Nkunku e o zagueiro Presnel Kimpembe.

Com uma recuperação que impressionou, Varane escapou do corte. Ficou fora da estreia contra a Austrália, mas retomou seu posto a partir da segunda rodada, diante da Dinamarca, e não saiu mais do time.

Quando está em campo, ele é quase como um segundo técnico, pois conhece bem o estilo de Deschamps.

"Ele é atento aos mínimos detalhes", diz o zagueiro. "Sabe o que esperar de mim e sabe o que posso dar ao grupo. Estamos sempre trocando [informações]. É uma chance de termos estabilidade com ele no comando da seleção por tantos anos."

O técnico francês é o que está há mais tempo no cargo entre todos os 32 treinadores que trabalharam na Copa do Mundo no Qatar. São dez anos, desde 2012.

Nesse período, o país conquistou seu segundo Mundial, em 2018, na Rússia, e a Liga das Nações da Uefa, na temporada 2020/21.

Com a França novamente favorita ao título nesta edição, Varane disse que ainda é difícil compreender o quanto a geração da qual ele faz parte está marcada na história do futebol francês.

"Vamos entender quando acabar. Estamos cientes de que o que estamos alcançando nos últimos anos é algo maravilhoso. Os resultados estão aí, mas é difícil avaliar o que estamos fazendo hoje", disse o defensor.

Neste momento, ele nem quer refletir sobre isso. O maior objetivo dele e de todo o grupo é buscar o título, alçando a França ao patamar de tricampeã mundial, o que a deixaria atrás apenas de Itália (4), Alemanha (4) e Brasil (5) em número de títulos.

"Conseguir chegar entre os quatro semifinalistas é uma boa performance, mas somos competitivos e queremos ser campeões."

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