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Volta de Daniel Alves premia bom momento, mas escancara carência na seleção

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde que chegou ao São Paulo, em agosto de 2019, Daniel Alves não esconde de ninguém o desejo de disputar a Copa do Mundo de 2022, no Qatar.

Mas a atuação como meio-campista no clube parecia distanciar o jogador de 38 anos do sonho de participar de mais um Mundial. O próprio técnico da seleção brasileira, Tite, o havia deixado de fora das últimas convocações.

Recentemente, com a chegada de Hernán Crespo ao Morumbi, Daniel retornou para o lado do campo e, como ala pela direita, tem desempenhado bem no time tricolor. O rendimento satisfatório em sua posição de origem parece ter recolocado o veterano na rota para a próxima Copa, na qual terá 39 anos.

Nesta sexta-feira (14), Tite deu um sinal positivo para o jogador, convocado para os duelos contra Equador e Paraguai, em junho, pelas Eliminatórias.

O retorno à equipe nacional às vésperas da Copa América premia o bom momento do atleta e também sublinha a falta de opções confiáveis para o setor. O outro nome anunciado por Tite foi Danilo, 29, que tem sido o titular na posição, mas não é visto como unanimidade -como era Daniel Alves à época da Copa América.

"Ele [Daniel Alves] é de alto nível, tem longevidade da carreira, tem o bom momento e o histórico dentro da seleção. Principalmente quando se tem jogos de Eliminatórias, procuramos o aspecto físico e o técnico na sua plenitude. Temos a felicidade de ver o Dani jogando em alto nível", disse o técnico, nesta sexta, durante o anúncio dos convocados.

Além de Danilo, outra opção trabalhada por Tite nas primeiras rodadas das Eliminatórias foi o palmeirense Gabriel Menino, 20, convocado por André Jardine para a seleção olímpica. O jogador do Palmeiras é meio-campista, mas já atuou como lateral ou ala no clube.

Tanto em Danilo como em Menino, o treinador enxerga a qualidade para ser construtor por dentro, função desempenhada por Daniel Alves na Copa América de 2019, quando vestiu a braçadeira de capitão da equipe nacional na conquista do título.

Na fase ofensiva, especialmente contra adversários que se fecham com muitos homens na defesa, o Brasil procura ocupar o campo rival em um 2-3-5, com cinco jogadores bem adiantados e três meias por trás que dão sustentação.

Um desses três atletas no meio de campo é o lateral direito, que sai do lado para construir o jogo pela faixa central, com visão ampla do ataque.

É um movimento que Daniel Alves já fez na seleção e também tem feito no São Paulo. No clube, ele atua como ala pela direita em um 3-4-1-2 e por vezes centraliza jogadas para buscar combinações ou progredir com a bola dominada.

Do outro lado, Reinaldo ataca mais a linha de fundo e, com Crespo, tem recebido a bola em posição adiantada, quase como um ponta, semelhante ao papel que Renan Lodi tem na equipe de Tite.

"Se remetermos um pouco antes e lembrarmos do Dani Alves na Copa América, vai se lembrar dele nessa função. Na construção, ser um articulador, mais central, semelhante à articulação que ele vem desenvolvendo no São Paulo", afirmou o treinador da seleção.

"É a função que ele exerce e produz mais. Nessa fase ofensiva, Alex Sandro e Lodi podem estar numa função mais avançada, e o Dani em uma função de articulação. O Danilo também trabalha como um terceiro articulador central, muito poucas vezes utilizamos ele como terceiro zagueiro. O nosso lateral é um articulador, essa é a ideia com ele [Daniel]."

O camisa 10 são-paulino voltou a jogar em sua posição a partir do clássico com o Palmeiras, no dia 16 de abril, pelo Campeonato Paulista, por conta de uma lesão de Igor Vinícius.

Daniel Alves deu a assistência para Pablo marcar o gol do triunfo por 1 a 0 no Allianz e, a partir do Choque-Rei, não deixou mais a ala direita.

Convencido por Crespo a permanecer na posição em que se sente mais à vontade, o jogador disputou 11 partidas na temporada e já distribuiu quatro passes para gol. Mesmo aos 38 anos, tem atuado com frequência na maratona de jogos da equipe.

No duelo com o Racing (ARG), pela Libertadores, Daniel Alves deixou o campo com uma lesão na coxa direita, que o tirou do confronto pelas quartas de final do Paulista, contra a Ferroviária, nesta sexta.

O problema muscular, contudo, não deverá ser problema para o aproveitamento do atleta na seleção, que tem os compromissos pelas Eliminatórias em junho.

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