
afp.com / YASUYOSHI CHIBA
Rio de Janeiro (AFP) - O Brasil ainda tem "trabalho para fazer" na organização da Copa do Mundo de 2014, disse nesta quinta-feira o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, que descartou estar preocupado com a possibilidade de novas manifestações violentas no país durante a competição.
O dirigente finalizou uma visita a Porto Alegre e Cuiabá, onde supervisionou as obras para a Copa do Mundo, e participou de uma reunião com membros do Comitê Organizador Local (COL).
"Ainda temos trabalho a fazer, isso é normal, temos que fazer também alguns trabalhos nos estádios da Copa das Confederações", disse Valcke em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.
O Mundial será disputado entre 12 de junho e 13 de julho do ano que vem em 12 cidades brasileiras.
A Fifa informou que recebeu 6.164.682 milhões de pedidos de compra de ingressos para a Copa na primeira fase do processo de vendas.
Valcke anunciou também que para o Mundial, a Fifa utilizará novamente a tecnologia da linha do gol da companhia alemã GoalControl, usada com sucesso na Copa das Confederações.
Preocupação com Curitiba
Um dos estádios que mais preocupa é o de Curitiba, que teve as obras retomadas na terça-feira após serem paralisadas pela justiça por questões de "segurança dos operários".
O estádio do Atlético Paranaense, que precisa ser entregue em dezembro à Fifa, está 80% concluído.
"A Arena da Baixada é um dos estádios onde há trabalho a fazer. O COL está monitorando permanentemente a situação. Temos gente que vai regularmente lá para se reunir com os responsáveis pelo estádio, pelo gramado e do entorno. Para que o estádio esteja pronto para a Copa, não há um minuto a perder", disse o secretário-geral.
"A questão não é se estará pronto ou não, os estádios estarão prontos para a Copa do Mundo. A questão é quando estarão disponíveis para instalar as equipes necessárias", continuou.
O secretário destacou por outro lado os avanços na construção do estádio de São Paulo, que causava "certa preocupação" há alguns meses, com a dúvida de que conseguiria cumprir os prazos.
Valcke afirmou também que o gramado do estádio Mané Garrincha de Brasília não tem a qualidade esperada para o Mundial e espera que seja melhorado.
"Muitos jogadores e muitas seleções estão acostumadas a jogar em gramados de melhor qualidade", afirmou.
Manifestações
Valcke insistiu que a Fifa tem "muita confiança" na capacidade do governo brasileiro de garantir a segurança durante a Copa, em meio a possíveis manifestações violentas durante a competição.
"Não há nenhuma exigência adicional da Fifa" em relação à segurança, assegurou o dirigente.
Após as grandes manifestações de junho deste ano, durante a Copa das Confederações, o secretário-geral disse que teve "a impressão que as autoridades reagiram bem e deram muita confiança a todos, equipes, parceiros comerciais, de sua capacidade de controlar estas situações".
As manifestações, que chegaram a reunir mais de um milhão de pessoas nas ruas de diversas cidades do Brasil, reclamavam dos gastos públicos com a Copa do Mundo e pediam melhorias na saúde e na educação, além de melhores serviços públicos e punições mais severas aos envolvidos com corrupção.
Cerca de 50 pessoas, a maioria funcionários públicos, protestaram durante a visita do secretário-geral a Cuiabá, na semana passada.
"Eles têm o direito de protestar e nós temos o direito de organizar a Copa do Mundo", resumiu Valcke.



