'Resiliente', Thiago Braz revela sonho de medalha de bronze antes da final

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

03/08/2021 11h06 — em Esportes

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Medalhista no salto com vara nas Olimpíadas de Tóquio, Thiago Braz sonhou com o pódio antes da final. O brasileiro revelou que acordou contrariado, pois queria o ouro, mas com o bronze no peito na vida real, viu a felicidade representada em sua resiliência.

"Dois dias atrás eu tinha sonhado que fiquei com a medalha de bronze. No sonho, eu não gostei muito porque queria a de ouro (risos), mas fiquei feliz com a medalha. No meu dia aconteceram muitos sinais legais, e isso me deu força para seguir, continuar, guerrear e ir para cima", contou, ao SporTV.

O ciclo olímpico de Braz esteve longe do ideal. O campeão olímpico da prova na Rio-2016 não passava dos 5,82 m desde 2019, quando foi terceiro colocado na prova da Liga Diamante de Mônaco com 5,92 m. Em toda a sua carreira, ele só passou dos 5,87m sete vezes — uma delas, hoje. Por isso, não era cotado como medalhista em Tóquio, mas mostrou que cresce na decisão.

"Representa uma resiliência, principalmente dentro das Olimpíadas. Nada foi fácil para mim nesses cinco anos, mas me superei e estou trazendo essa medalha para o Brasil. Muito feliz pela minha esposa e minha família inteira que me ajudou a dar a volta por cima. Eu estava confiante para conseguir o ouro, mas não deu", disse.

O que o brasileiro não contava era que não enfrentaria o americano Sam Kendricks, fora dos Jogos Olímpicos por contrair covid-19, e com a lesão do francês Renaud Lavillenie, medalha de prata no Rio de Janeiro, que vinha em melhor fase. A marca alcançada, segundo Thiago Braz, lhe dava segurança de medalha.

"Na realidade eu tinha uma certeza interna que 5,87m era medalha, seguro. O francês não conseguiu porque estava machucado, e acho muito legal isso, a qualificatória não foi boa. Ele já estava com o pé esquerdo machucado, machucou o direito, infelizmente não deu para ele hoje, mas eu sabia que eu iria conseguir saltar. Hoje por um erro muito bobo acabei não saltando 5,92m, me fez perder a prata, mas acontece", explicou.

Thiago Braz também precisou superar seu corpo para voltar a garantir um pódio olímpico. Na eliminatória, sofreu com dores, que se estenderam até a decisão. Se ficou sem a prata, o brasileiro viu nas adversidades que pode voltar a saltar como em 2016.

"Na qualificatória tive cãibras nas duas panturrilhas, e a gente tratou. Eu não estava 100% ainda hoje, a panturrilha direita estava doendo. Então, tive de dar uma maneirada na corrida. Fui acontecendo durante a prova e sentindo quando tinha que empurrar mais, quando tinha de correr um pouco mais. Estou muito grato, muito contente mesmo por estar voltando a pegar pódio, por dar 100% de mim na prova, e ver que as coisas podem acontecer, ver que eu consigo, sim, saltar 5,90m, seis metros", opinou.

Durante o dia, além do sonho, outros "sinais" chamaram a atenção de Braz. Coisas pequenas, mas que ajudaram brasileiro a seguir forte mentalmente para a disputa da final em Tóquio. Seu recorde olímpico de 6,03m foi mantido, já que o sueco Armand Duplantis buscou o recorde mundial de 6,19m, mas não bateu e teve como melhor marca, no Japão, um 6,02m.

"Sinais foram acontecendo no sentido de como se fosse tudo prosperando para que acontecesse, sabe? E fui percebendo o que estava acontecendo. Uma moça precisava voltar para o Brasil, na realidade, ela me ajudaria muito, que é a psicóloga Marina, e deu certo dela ficar. Eu não fui atrás de nada, foi acontecendo. Um amigo meu da China me trouxe quatro blusas muito legais... E alguns sinais que podem ser pequenos, mas, para mim, soava muito como sinal de Deus para mim. Em três etiquetas não tinha nada em inglês, só em uma, que pedia para que eu abrisse o coração: 'Open your heart'. E todo mundo falando: 'É possível, você consegue'", contou, para prosseguir:

"Minha família me incentivando muito, meus amigos, meu amigo do Florianópolis, o Vagner, minha esposa Ana, minha avó também. Minha avó saiu de Marília e foi para Florianópolis, onde estamos morando, e me falou: 'Olha, não me faz perder viagem' (risos). E isso aconteceu em 2016 também. Fora o sonho, né? Que eu tinha a medalha de bronze. Não significa que seria fácil, teria de lutar, ir atrás, me esforçar, e aconteceu. Estou super feliz", finalizou.


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