Qualquer brasileiro poderá ser o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Essa é uma das principais propostas da comissão de reforma do estatuto da entidade, da qual faz parte Marco Aurélio de Sá Ribeiro, presidente da Confederação Brasileira de Vela, Ricardo Machado, da Esgrima, José Antônio Fernandes, do Atletismo, e do ex-judoca Tiago Camilo. Após a renúncia de Carlos Arthur Nuzman, que chegou a ser preso por suspeita de intermediar a compra de votos para o Rio ser sede dos Jogos Olímpicos, eles foram incumbidos pelo novo presidente, Paulo Wanderley, a comandar os ajustes nos estatuto para apreciação geral em 45 dias.
Essa comissão já finalizou o texto com as propostas. O material será encaminhado para as confederações olímpicas na próxima segunda-feira e divulgado simultaneamente para a sociedade. A assembleia para votação será realizada no dia 22.
Segundo Marco Aurélio, a proposta é que qualquer cidadão brasileiro possa concorrer ao cargo máximo da entidade mas precisará de apoio de um número pequeno de membros da assembleia. A "Atletas pelo Brasil" e do "Sou do Esporte", únicas organizações da sociedade civil que foram convidadas a contribuir com ideias, sugeriu que fossem três apoios.
A assembléia também mudaria, de acordo com a proposta. Composta apenas por presidentes de confederações, membros vitalícios, do Comitê Olímpico Internacional (COI) e apenas um representante dos atletas, ela passaria a contar com 1/3 de atletas.
- Para mim, se passar pela votação, essas serão as maiores conquistas. Porque como era antes, não dava mesmo. Uma gincana para ser candidado - comenta Marco Aurélio, sobre as regras atuais para o pleito (apenas presidentes de confederações, com apoio de dez membros da assembleia e tempo mínimo no cargo).
Ele explidca que a assembleia não pode equiparar o número de dirigentes com os de atletas porque fere a Carta Olímpica, regras do COI que administram seus membros.
- As assembleias são hierárquicas, com aquela figura do presidente informando e não debatendo. Não é um ambiente de debate. Todo mundo ficava mudo. Agora, se a proposta passar, teremos ao menos 10 atletas. Vê-los no debate será muito enriquecedor - completou Marco Aurélio.
A nova proposta de estatuto também sugere a criação de um comitê de ética e o remodelamento do conselho fiscal (sem representante na chapa da presidência). Ambos serão eleitos de maneira independente.
Outra novidade é a proposta para a criação de um conselho de administração para gerir recursos públicos que passam pelo COB, como os provenientes da Lei Piva (destina percentual da arrecadação bruta das loterias federais ao esporte do país). Atualmente, é o COB que determina a porcentagem distribuída às confederações e os critérios.
Uma outra sugestão das “Atletas pelo Brasil” e que faz parte das proposta é inclusão no estatuto de um dispositivo que garanta revisão dois anos antes da assembleia para escolha do presidente.

