Patrocinadores pressionam Fifa sobre corrupção no Mundial-2022

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09/06/2014 8h54 — em Esportes

 (AFP) - Os patrocinadores da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Sony, Adidas e Visa, pressionaram neste domingo a entidade a fim de esclarecer as suspeitas de corrupção que cercam a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo-2022.

A intervenção destes três patrocinadores chega às vésperas da data estabelecida por Michael J. Garcia, presidente da Câmara de Investigação do Comitê de Ética da Fifa, para encerrar a investigação de pouco menos de dois anos sobre a atribuição dos Mundiais de 2018 (Rússia) e 2022.

Garcia, ex-promotor federal de Nova York, terá outras seis semanas para enviar seu parecer a Câmara de Resolução de Disputadas, encarregada de emitir um veredicto, que poderá ir de um simples procedimento disciplinário até sanções imediatas.

Os grandes patrocinadores da Fifa, porém, defendem a resolução rápida do assunto e que sejam decididas logos as sanções pertinentes, após três anos e meio de polêmicas ininterruptas desde a escolho do Catar como sede do Mundial-2022, em 2 de dezembro 2010.

"Confiamos que a investigação esteja sendo tratada com caráter prioritário", declarou a Adidas, patrocinadora da Fifa desde 1970, em comunicado enviado à AFP.

"Contudo, o tom negativo do debate público não é bom nem para a imagem do futebol, nem para a instituição Fifa, nem para os patrocinadores", continuou a empresa alemã, que renovou em novembro passado o patrocínio com a entidade que rege o futebol no mundo até 2030.

A Visa enviou mensagem similar, garantindo que "temos consciência de que a Fifa leva este assunto muito a sério e seguiremos a investigação internamente".

"Esperamos que a Fifa tomará todas as ações cabíveis para responder às recomendações da investigação", escreveu a empresa de cartões de crédito, antes de afirmar que "atualmente, nosso objetivo é que os torcedores e nossos clientes sigam festejando o futebol em todo o mundo".

A companhia japonesa Sony, patrocinadora oficial da Copa do Mundo, pediu também uma "investigação apropriada", de acordo com o jornal britânico Sunday Times.

"Esperamos que a Fifa cumpra todos os princípios éticos em todas as operações", completou.

Questionado pela AFP em Tóquio, um porta-voz da companhia não quis comentar o artigo do Sunday Times. "Não falamos de nossas conversas internas com a Fifa", afirmou George Boyd.

Catar garante que merece Mundial

Neste domingo, o Catar anunciou que se abstém, a pedido da Fifa, de fazer qualquer comentário sobre a investigação em curso, afirmando apenas que "ganhou a votação por méritos próprios".

"O processo confirmará o direito do Catar de sediar a grande competição mundial", declarou o Comitê de Organização do Mundial-2022, reafirmando que o catari Mohamed Bin Hammam, centro de todas as acusações de corrupções, "não teve papel oficial ou extraoficial no Comitê da candidatura" do país árabe.

Doha sempre negou as acusações de corrupção na escolha da sede do Mundial-2022, enquanto o Sunday Times garante ter documentos que supostamente provam que Bin Hammam pagou mais de cinco milhões de dólares em subornos para conseguir o apoio de vários representantes do futebol internacional à candidatura do Catar.

Esses documentos demonstrariam que Bin Hammam, também presidente da Confederação de Futebol Asiático, pagava em espécie importantes personalidades do futebol internacional para obter seu apoio à candidatura do Catar.

Bin Hammam teria pago até 200.000 dólares aos presidentes de 30 associações de futebol africanas, assim como 1,6 milhão de dólares ao ex-presidente da Concacaf, Jack Warner, também vice-presidente da Fifa, que se demitiu em 2011.

Essas revelações acontecem dois meses depois que o Daily Telegraph afirmou que Jack Warner e familiares receberam 1,43 milhão de euros de uma empresa do Catar, propriedade de Hammam.

Depois de disputar a presidência da Fifa, contra o atual dirigente Joseph Blatter, Mohamed Bin Hammam foi declarado culpado de corrupção pelo comitê de ética da federação internacional e suspenso por toda a vida em 2012.