'Neymar arqueiro', D'Almeida vira esperança de medalha para o Brasil no tiro com arco

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

29/07/2021 18h37 — em Esportes

MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) - Na primeira vez em que pegou um arco e flechas, Marcus D'Almeida tinha apenas 12 anos. Por isso, teve de pedir a autorização da mãe, que o deixou participar de um teste da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTArco) em Maricá (RJ), onde ele foi criado e onde fica o centro de treinamento da entidade.

Ali, e somente ali, D'Almeida não era um apaixonado pelo tiro com arco. Depois, a relação quase simbiótica com o esporte tomou a vida do menino que se tornou o segundo brasileiro a chegar às oitavas de final da modalidade em Olimpíadas -no Rio, em 2016, Ane Marcelle dos Santos alcançou a mesma fase e foi eliminada, algo que voltou a acontecer em Tóquio, após perder para a coreana An San.

Maduro e de bigode, o brasileiro de 23 anos derrotou o britânico Patrick Huston e o holandês Sjef van den Berg, ambos por 7 a 1. Nesta sexta-feira (30), às 21h30, o adversário será o italiano Mauro Nespoli.

"Cheguei à Vila Olímpica e peguei meu telefone para ver o tanto de mensagem, o tanto de energia boa que eu recebi, o tanto de torcida", escreveu D'Almeida nas redes sociais. "Agora o horário da prova é mais tranquilo para o Brasil, então continuem mandando energia positiva para cá, torcendo por mim."

A trajetória em Tóquio começou na fase de ranqueamento, obrigatória aos 64 arqueiros na competição.

Ali, todos têm direito a 72 tiros, e assim são definidas as posições para a segunda fase, conhecida como "combate" -um mata-mata entre os arqueiros. Distantes 70 m do alvo, cada atleta ganha três flechas por série e precisa fazer mais pontos do que o adversário. Quem tem notas maiores recebe dois pontos; em caso de empate, ambos ganham um. Avança quem chegar a seis pontos primeiro.

Hoje atleta de destaque, D'Almeida despontou em 2014, quando conquistou a prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanquim, na China. Naquele ano, também ganhou três medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos e uma prata na Copa do Mundo. Pela pouca idade, ganhou o apelido de "Neymar arqueiro".

No ano seguinte, fez parte da equipe que quebrou o jejum de 32 anos sem pódio ao ser bronze na competição por equipes do tiro com arco dos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015.

Mas a prova de fogo foi em 2016, no Rio. D'Almeida disputou uma Olimpíada pela primeira vez e caiu logo na primeira rodada, ao ser eliminado na primeira rodada pelo americano Jake Kaminski. Por equipes, o brasileiro também perdeu logo no primeiro confronto. E aí, no sentimento da derrota, pensou em desistir.

Tinha só 18 anos, e a ideia, como costuma acontecer com adolescentes, dissipou-se. O arqueiro reforçou os treinos e, com a ajuda do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), fez intercâmbios na Coreia do Sul. Hoje, é treinado pelo cubano Jorge Carrasco, da seleção brasileira. A classificação para Tóquio-2020 coroa a persistência do brasileiro, preparado para ser uma das grandes esperanças do país na modalidade.


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