Feliz aos 25 anos, o volante Fred, do Shakhtar Donetsk, alimenta esperanças de ir à Copa. Mas a vida nem sempre foi generosa com o mineiro de Belo Horizonte. Houve períodos em que o destino não parecia conspirar a seu favor. Ele não conseguiu se profissionalizar no Atlético Mineiro, como queria, e nem ter mais história na seleção por causa do teste positivo para a substância proibida hidroclorotiazida, em meio à disputa da Copa América de 2015. Um ano depois, foi convocado para os Jogos Olímpicos, mas novamente sua vontade não prevaleceu: o Shakhtar optou por não liberá-lo, e ele perdeu a chance de ser medalhista de ouro.
Uma das poucas vagas abertas na seleção está no meio de campo. Você se vê na briga?
A seleção tem grandes jogadores nesse setor, fazendo grandes campeonatos. A disputa está muito boa, na reta final para o Mundial. No Brasil, eu jogava mais adiantado. No Shakhtar, já atuei de primeiro, de segundo volante, já fui puxado muitas vezes para marcar. Posso jogar na posição de qualquer um deles, Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto.
A versatilidade é uma arma para ir à Copa?
Para mim, é um trunfo. É muito importante a seleção ter um jogador que atue em mais de uma posição em campo. Isso é muito bom para o treinador também, para que possa ter mais opções durante as partidas.
No mês passado você foi monitorado pela seleção. Como foi o contato com eles?
A comissão técnica do Tite (Fernando Lazaro e Matheus Baqui) esteve aqui para ver uns jogos na Liga dos Campeões. Foi ótimo, fiz uma boa partida, marquei um gol que veio na hora certa, justamente quando eles estavam me observando. Estou com a cabeça boa, muito focado, quero muito que o meu nome esteja na lista de convocados. A conversa com eles foi boa.
Ir bem na Liga dos Campeões pode contar pontos para você de olho na seleção?
A competição tem uma visibilidade muito grande, quanto mais longe nossa equipe for, é melhor. Mais chances terei de ser convocado, estarão me analisando mais de perto. Mas independentemente disso, queremos fazer um grande jogo contra a Roma (as equipes vão se enfrentar na próxima terça-feira, na Itália. No jogo de ida, na Ucrânia, o Shakhtar venceu por 2 a 1). Podemos fazer história no clube.
Jogar o primeiro jogo contra a Alemanha depois do 7 a 1 teria um gosto especial?
Aquele dia foi um dos piores não apenas do futebol, mas do esporte brasileiro. Foi difícil, mas já passou. As circunstâncias são diferentes agora.
Você atua com o Bernard, que foi titular naquela partida. Acha que ele ficou marcado?
Não tem jeito, todo mundo lembra daquele jogo. Mas ele vem fazendo um grande ano, tenho certeza de que não ficou abalado por aquela derrota. Precisa esquecer aquele jogo.
Por falar em ficar marcado, como vê hoje o episódio de doping na seleção?
Foi um período muito complicado, é ruim ser tachado de algo que você não é, ver seus familiares tristes. Sei que sou inocente, trabalhei com um bioquímico e descobri que durante a Copa América comi um alimento contaminado. Eu poderia desde 2015 estar sendo convocado para a seleção, mas tudo veio no tempo certo, essa pausa me ajudou a amadurecer um pouco, voltei melhor do que eu era antes.
E como fez para superar essa fase ruim?
Eu mantive a cabeça erguida, meus amigos e familiares sabem quem eu sou. Eu sabia que poderia voltar à seleção, fui chamado para os Jogos do Rio, mas não pude ir. Sabia que seria lembrado de novo (a primeira convocação com Tite foi para os últimos jogos das Eliminatórias).
Você saiu cedo do Atlético, foi para Porto Alegre. Acha que se arrependem disso?
Comecei no Atlético Mineiro com 10 anos e fiquei até os 16. Queria continuar, mas, por causa de alguns dirigentes, saí. Não sei se há arrependimento, mas queria ter feito carreira em Belo Horizonte, é minha cidade, o clube para o qual eu torcia. Mas penso que quando não é para ser, não tem como. Fui feliz no Internacional.
E se você for convocado para a Copa do Mundo, vai ter muita festa em BH?
Pode ter certeza. Meus amigos, familiares, o povo todo está torcendo por mim. Vão comemorar muito com cerveja e feijão tropeiro (risos).

