Sem nenhum jogador especial e em processo de reformulação desde a venda de Neymar e a demissão de Muricy Ramalho, o vice-campeão paulista mostrou grande poder de reação após a vergonhosa derrota por 8 a 0 diante do Barcelona, na Espanha, há pouco mais de um mês, e tem uma nova cara. É um time operário, dedicado à marcação - sofreu apenas dois gols nos seis últimos jogos pelo Brasileirão (duas vitórias e quatro empates) -, não se preocupa em dar espetáculo e exibir jogadas de efeito.
Depois de ficar seis jogos sem ganhar no Brasileirão, o Santos quebrou a sequência ao derrotar o Vitória e na projeção das rodadas seguintes, Claudinei Oliveira não imaginava ser possível ganhar fora, principalmente sem Montillo, que sofreu lesão muscular na coxa esquerda. Ele afirmou que o ideal seria somar quatro pontos nos dois jogos, mas logo no primeiro, contra o Fluminense, ganhou os três, tirando a pressão sobre o time para a partida desta quarta.
No pior momento, quando o Santos estava entre os últimos da tabela de classificação, Claudinei Oliveira demonstrou confiança e disse que pretendia usar os seis pontos dos jogos atrasados contra Náutico e Internacional para entrar no G4 e não para se afastar da zona de rebaixamento. Parecia pretensão demais, mas após superar inúmeras obstáculos, a meta do treinador vai se tornando possível. "O aproveitamento é bom, mas não o ideal, pois penso em coisas grandes. Temos que mantê-lo e melhorá-lo. Temos de ganhar do Goiás e do Internacional e tentar o G4. Com o comprometimento de todos, podemos chegar", disse.
O que facilita o trabalho do treinador é conhecer bem os 17 jogadores formados na base do clube e ter bom relacionamento com os outros 22 que compõem o elenco santista. "Valorizo o meu grupo de jogadores, a minha comissão técnica, todo o pessoal que cuida do campo, da cozinha, os roupeiros, os massagistas e os médicos. Não é só Claudinei. É fácil só ver a ponta do iceberg".
O entusiasmo de Claudinei Oliveira e o bom momento santista no Campeonato Brasileiro vão correr risco em Curitiba, porque o Atlético é o terceiro na tabela de classificação, com 30 pontos (oito vitórias e seis empates) e está há 10 jogos sem perder - última derrota foi diante do Coritiba, no dia 14 de julho - e ainda terá a volta do meia Paulo Baier.

