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Fez que ia, não foi, mas acabou indo

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O vai e vem de pessoas pelo globo não é uma novidade. A Copa do Mundo da Rússia vai pôr em evidência o tema da imigração, já que muitos jogadores defenderão países onde não nasceram. A escolha nem sempre é fácil para o atleta, envolve detalhes burocráticos, decisões e arrependimento, como bem mostra o caso de Yohan Benalouane.

O zagueiro reserva do Leicester, da Inglaterra, nasceu há 30 anos na França. Mas é pela Tunísia, terra natal de seu pai, que ele vai disputar o primeiro Mundial de sua carreira. Em seu currículo, ele tem apenas duas partidas pela seleção nacional, ambas em março deste ano.

O caso não é dos mais simples. Em 2008, quando iniciava uma promissora carreira no francês Saint-Étienne, Benalouane foi chamado para a seleção sub-21 da França. Atuou uma única vez. Em 2010, iniciou um processo administrativo junto à Fifa para defender a seleção da Tunísia pela Copa Africana de Nações daquele ano. A falta de vacinas para acompanhar a seleção em um jogo contra o Chade acabou afastando-o do objetivo.

Ainda em 2010, boatos alteraram os planos do jogador. Àquela altura, ventilava-se o interesse do técnico da seleção francesa, Laurent Blanc, em convocá-lo. Com a intenção de defender o país em que nasceu, ele recebeu dessa vez um sinal negativo da Fifa. Se aceitasse, seria suspenso.

Desde então, Benalouane passou pelo futebol italiano, no Cesena, Parma e Atalanta, antes de ser vendido — por € 8 milhões — para o Leicester City, em 2015. No clube inglês, teve poucas chances. Em sua primeira temporada, atuou quatro vezes na heroica campanha do título improvável. Com uma partida a mais teria recebido uma medalha pela conquista.

Enquanto viajava o mundo, Benalouane virou um amante das artes, o que o tornou um personagem definido pela imprensa britânica como excêntrico. No Instagram, publicou inclusive uma reprodução sua da tela “O Sonho”, da fase cubista de Pablo Picasso. Na rede social, ele também publica fotos de quadros que compra.

As imagens artísticas na rede social são alternadas com posts sobre um jogo de videogame. Ele se orgulha de ser parecido com o protagonista do jogo “Hitman” (em tradução livre, assassino de aluguel). Como não poderia deixar de ser, um artista local pintou um quadro em que Benalouane incorpora o personagem, com direito a uma arma na mão e cara de mau.

Depois de tanto esperar, o futebol de seleções finalmente abriu suas portas para Yohan Benalouane.

E ele não tem tempo a perder.

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