A badalada seleção que atraiu centenas de curiosos desde o momento que chegou em Fortaleza ainda colhe frutos do trabalho de longo prazo que a transformou de "amarelona" em uma moedora de rivais. Nem mesmo o fato de rivalizar com o Brasil diminui o louvor com que as pessoas tratam La Roja.
A forma que a Espanha joga não é segredo há algum tempo. Iniesta e Xavi atuam com liberdade para criar e Fàbregas auxilia tanto no meio como aparece na frente enfiado entre Soldado e Pedro. O time toca a bola incessantemente, às vezes com oito jogadores no campo de ataque. Asfixiar os meias para roubar a bola e sair em velocidade no contra-ataque parece ser a melhor saída para quem quiser superar os europeus. No discurso, muito simples, o problema é pôr a teoria em prática. O "tiki-taka", como é chamado o estilo de jogo espanhol, tem o condão de forçar o adversário a moldar seu jogo ao rival.
Contra a Nigéria, a situação não será diferente e a aposta será na cadência de jogo até o espaço para agredir aparecer. Com relação à equipe, Vicente del Bosque deve promover o retorno de praticamente todos os titulares após poupá-los contra o Taiti. Quem pode ganhar uma oportunidade é Jesus Navas, único reserva que não iniciou jogando o último duelo. Se confirmar a equipe dessa forma, Sergio Ramos é o mais cotado para sair, Busquets seria recuado para a zaga ao lado de Piqué e Fàbregas atuaria mais na faixa central como terceiro meia.
Um simples empate garante a primeira posição na chave, mas ninguém espera uma equipe desinteressada em campo. A Copa das Confederações é um dos poucos títulos que essa geração não conquistou e a derrota para os Estados Unidos na semifinal de 2009, na África do Sul, ainda é uma pedra no sapato. A ordem é ter uma campanha irretocável para chegar embalada à semifinal e para ganhar o apoio da torcida local, já que os espanhóis continuarão em Fortaleza caso assegurem a primeira colocação. Se entrar focada e jogar tudo o que sabe, é difícil imaginar que não termine a partida aplaudida e conquiste de vez os cearenses.
NIGÉRIA - Se quiser permanecer viva na competição, a Nigéria precisará subverter a lógica e derrotar os atuais bicampeões europeus e campeões mundiais; nada além da vitória interessa aos africanos neste domingo, na terceira partida do Grupo B da Copa das Confederações.
Os nigerianos possuem três pontos ao lado do Uruguai, que enfrenta o Taiti no outro jogo do grupo e não deve ter dificuldades para vencer com margem larga de gols. Dessa forma, se ambos vencerem haveria um triplo empate em número de pontos e a classificação seria definida no saldo de gols: a Espanha tem 11, a Nigéria quatro e o Uruguai está com zero. Daí a necessidade de um triunfo, já que a Celeste encara um adversário que tem jogadores amadores.
O discurso do lado africano é de otimismo embora ninguém negue que o adversário é franco favorito. A Espanha tem a seu favor um impressionante retrospecto de 27 partidas de invencibilidade em competições oficiais; a última vez que o gosto amargo da derrota foi sentido foi na estreia da Copa do Mundo de 2010 (1 a 0 para a Suíça). Mas nem isso diminui o otimismo. "Tudo é possível, depende do desejo que está em você. Claro, com uma pitada de sorte e essas coisas, tudo pode dar certo", afirmou o treinador Stephen Keshi, que não revela o time que pretende escalar.

