afp.com / Yuri Cortez
FORTALEZA (AFP) - Em jogo emocionante, a seleção espanhola derrotou a Itália por 7 a 6 na disputa de pênaltis após o jogo ficar empatado sem gols no tempo normal e prorrogação, nesta quinta-feira no Castelão de Fortaleza, e enfrentará o Brasil na final da Copa das Confederações, neste domingo no Maracanã.
O zagueiro Leonardo Bonucci perdeu sua cobrança e Jesus Navas, que entrou no segundo tempo, anotou o pênalti que deu a classificação à Fúria.
Apesar do 0 a 0 no placar, o jogo foi espetacular, com várias chances claras para ambas as equipes.
A Itália, que havia perdido por 4 a 0 para o mesmo adversário na final da última edição da Eurocopa, surpreendeu com sua postura ofensiva, impedindo a Espanha de desenvolver seu jogo.
Em alguns momentos, os comandados do técnico Cesare Prandelli chegaram até a jogar 'à espanhola', colocando a Fúria na roda com rápidas trocas de passes, levando a torcida a gritar 'Olé'.
"A Itália está de parabéns por essa partida excelente, armou um esquema de jogo que complicou a nossa vida. Tenho certeza que o Brasil não jogará desta forma", comentou o goleiro Iker Casillas depois da partida.
Com dificuldade para definir as jogadas, a equipe sentiu falta do atacante Mario Balotelli, que sofreu uma lesão na coxa e já voltou à Itália.
Melhor fisicamente nos minutos finais, a Espanha conseguiu a classificação nos pênaltis, mas terá que superar o desgaste e a pressão da torcida no Maracanã, diante dos comandados de Luiz Felipe Scolari que terão um dia a mais de descanso.
Desde que começou a dominar o futebol mundial com dois títulos europeus (2008 e 2012) e o título mundial conquistado em 2010, na África do Sul, a 'Roja' nunca enfrentou o Brasil. Craques como Xavi e Iniesta já declararam várias vezes que sonhavam com esse confronto.
"Vamos tentar dar uma respirada depois dessa partida muito difícil. Temos três dias para nos recuperar. Acho ótimo o fato dos meus jogadores ainda terem esse sonho de criança de enfrentar o Brasil no Maracanã. A emoção está garantida", declarou o treinador Vicente Del Bosque.
Os espanhóis não perdem há 29 jogos em competições oficiais, desde a derrota por 1 a 0 que sofreram para a Suíça em 16 de junho de 2010, na estreia do Mundial africano.
O jogo começou muito movimentado, com a Espanha fiel ao seu estilo de jogo, monopolizando a posse de bola e pressionando o adversário.
A Fúria ameaçou pela primeira vez o gol de Buffon com dois minutos de bola rolando, quando Pedro pegou uma sobra mal afastada pela zaga italiana na entrada da área e chutou para fora.
A 'Nazionale' reagiu logo no minuto seguinte com belo passe de primeira de Gilardino para Giaccherini, que se atrapalhou na hora de finalizar.
Depois da pressão inicial espanhola, a Itália cresceu na partida e criou três chances claras em menos de cinco minutos, mas Gilardino, De Rossi e Marchisio não capricharam na pontaria.
O meio de campo da Espanha parecia sem ritmo e os italianos levaram muito perigo nos contra-ataques.
Os volantes Pirlo e De Rossi, que voltaram à equipe após ficarem de fora na derrota por 4 a 2 para o Brasil, fizeram a diferença ao dar muito mais qualidade à saída de bola da equipe.
Aos 35, Giaccherini cruzou na medida para Maggio, que completou de peixinho, obrigando Casillas a fazer uma defesa espetacular.
A Espanha respondeu logo no minuto seguinte com Fernando Torres, que recebeu na área, se livrou da marcação de Barzagli e chutou cruzado rente à trave de Buffon.
Pouco antes do intervalo, Giaccherini pontuou sua ótima atuação do primeiro tempo com uma grande jogada individual. O meia da Juventus driblou um marcador e soltou uma bomba, De Rossi ficou com a sobra e Casillas defendeu de soco.
A Fúria voltou com mais disposição na segunda etapa e quase abriu o placar aos 3 com Iniesta, que tabelou com Fernando Torres e ficou cara a cara com Buffon, mas chutou para fora.
O meia do Barça teve outra boa chance aos 18, mas finalizou muito mal, isolando a bola na arquibancada do Castelão.
Cinco minutos depois, Marchisio recebeu livre na área, mas foi travado na hora do chute por Piqué, que impediu um gol quase certo.
Aos 38, Torres arrancou pela direita e rolou para Jesus Navas cruzar para Piqué. O zagueiro do Barca recebeu livre na marca do pênalti e isolou a bola, para o desespero da namorada, a cantora colombiana Shakira, que estava presente na tribuna de honra do Castelão.
A Itália começou melhor na prorrogação e Giaccherini quase abriu o placar ao carimbar a trave com uma bomba de primeira do lado esquerdo da área.
A 'Fúria' reagiu e teve duas boas chances em três minutos, mas Sergio Ramos e Jordi Alba não conseguiram finalizar para o gol.
Na segunda etapa do tempo extra, Mata recebeu na meia lua e chutou rente à trave de Buffon.
Visivelmente cansados, os italianos se contentaram em defender para esperar os pênaltis.
Nos minutos finais, a 'Nazionale' passou um enorme sufoco. Aos 9, Xavi fez uma jogada sensacional, soltando uma bomba na direção do ângulo de Buffon, mas o goleiro italiano fez defesa heróica. Javi Martinez pegou a sobra, mas mandou a bola para fora. Navas teve outra grande chance no minuto seguinte, mas Buffon espalmou de novo.
Na disputa de pênaltis, a Itália chegou a mostrar desenvoltura com a cavadinha de Candreva na primeira cobrança, mas Bonucci chutou por cima do gol e Jesus Navas não perdoou.

