Henrique Dourado carrega o “Ceifador” quase como sobrenome. Mas seu apelido poderia ser camaleão. A facilidade para se adaptar é uma característica do centroavante do Fluminense, que estreia no Brasileiro contra o Santos hoje, às 11h, no Maracanã. Na base, foi lateral. Na Europa, ponta.
— Sempre sonhei em ser jogador. Na escola, Educação Física era minha melhor matéria. E quando o professor pedia redação eu respondia que não ia precisar dela — conta Dourado, de 27 anos.
Ironicamente, escrever virou um hábito. O jogador guarda um caderno em que anota pensamentos, trechos da bíblia e, a cada fim de ano, metas pessoais e profissionais. Ali, registrou que daria a volta por cima em 2017:
— Algumas metas já realizei, como levantar uma taça, que foi a da Guanabara. Mas espero que venham outras, porque não impus um limite.
Deixar para trás o mau começo no tricolor também exigiu adaptação, quando conviveu com a sombra de Fred.
— Ser tratado como o substituto do Fred é um peso muito grande. Mas é normal por parte da imprensa e da torcida. Ele ficou sete anos. Tentei e tento fazer com que não interfira no meu trabalho — explica: — É chato porque tive uma cobrança muito precoce. Quando cheguei, falavam muito que eu não marcava. Mas não tive sequência. Se pegar os minutos que joguei, foram seis partidas inteiras e dois gols.
Este ano, ele marcou 11 gols em 20 jogos — o último deles na final do Estadual. O artilheiro do time na temporada “ceifou” o fantasma de Fred.

