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Dorival chama são-paulinos Rafael e Pablo Maia e palmeirense Murilo na primeira convocação

Por Folha de São Paulo

01/03/2024 15h00 — em
Esportes



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na primeira lista de convocados para a seleção brasileira do técnico Dorival Júnior, divulgada na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio, nesta sexta-feira (1), o goleiro Rafael e o volante Pablo Maia, do São Paulo, e o zagueiro Murilo, do Palmeiras, foram algumas das principais novidades entre os 26 nomes chamados, assim como o atacante Savinho, do Girona e o zagueiro Beraldo, do PSG.

A convocação também marcou o retorno do meia Lucas Paquetá, do West Ham, que não esteve presente nas últimas convocações devido a uma investigação por manipulação de resultados na Inglaterra.

"É um trabalho minucioso tentando, naturalmente, buscarmos o que de melhor temos neste momento", afirmou Dorival Júnior.

Os nomes chamados marcaram uma mudança importante em relação à última convocação do Brasil, em novembro do ano passado, para as partidas contra Colômbia e Argentina pelas eliminatórias para a Copa de 2026. Dos 26 jogadores na lista, 15 não estiveram presentes na convocação anterior.

"Vamos colocar uma equipe em condições de brigar com qualquer seleção do mundo em igualdade de condições", disse o treinador, que chamou três jogadores campeões da Copa do Brasil com ele no São Paulo. A última vez que jogadores do clube foram convocados para a seleção principal havia sido em setembro de 2021, quando Tite chamou Daniel Alves e Miranda para confrontos contra Chile, Argentina e Peru pelas eliminatórias para a Copa de 2022.

No cargo desde janeiro, o treinador vai estrear à frente da equipe neste mês de março, no amistoso contra a Inglaterra, no dia 23, em Wembley. Na sequência, a seleção também encara a Espanha, dia 26, no estádio Santiago Bernabéu.

"É natural que todos estejam na expectativa de uma estreia em que voltemos a jogar dentro daquilo que estamos acostumados a ver a nossa seleção. Acho que isso já vinha sendo mostrado nas últimas partidas da nossa equipe, independente dos resultados que vinham acontecendo", disse o treinador da seleção brasileira.

Já nos primeiros compromissos, o comandante terá de agir para tirar a seleção de uma complicada crise. Antes de sua chegada, Fernando Diniz ocupava o cargo interinamente. O período com ele, porém, acabou marcado pelo acúmulo de marcas negativas, como a sequência inédita de três derrotas nas Eliminatórias, que deixaram a equipe na sexta posição —a última que garante vaga direta na Copa do Mundo.

Diniz foi contratado sem se desligar do Fluminense, acumulando os dois cargos, pois a intenção da CBF era de que ele seria um "tampão" até a chegada do técnico italiano Carlo Ancelotti, com quem o presidente da confederação assegurava que tinha um acordo verbal. O multicampeão, porém, acabou renovando seu contrato com o Real Madrid no final de dezembro, frustrando os planos do cartola.

Sem poder contar com o treinador europeu e como Diniz não decolou com a seleção, Ednaldo optou por rasgar o plano inicial e buscar uma solução definitiva imediata e definitiva até a Copa de 2026, apostando no profissional que estava no São Paulo.

"Eu não tenho dúvidas que nós estaremos presentes novamente em uma decisão de Copa", afirmou Dorival Júnior nesta sexta-feira.

Quando foi apresentado no início do ano, o treinador afirmou que, apesar do momento ruim da seleção, não seria necessário fazer uma reformulação completa no elenco. O técnico entende que seja hora de trabalhar mais o aspecto psicológico do grupo.

"Não é nem uma mudança de nomes, o que já vem acontecendo de uma maneira gradativa em relação à seleção que jogou a última Copa. É uma mudança emocional, postural. O atleta tem que entender que está aqui vestindo uma camisa muito pesada, referência no mundo todo", disse na ocasião.

Em relação à convocação do meia Lucas Paquetá, Rodrigo Caetano, diretor de seleções, afirmou que o jogador segue atuando normalmente pelo West Ham na Inglaterra, sem qualquer tipo de punição, e que se trata de um atleta de alto nível.

Dorival reconheceu ainda as dificuldades de se adaptar ao cargo de técnico da seleção brasileira, em comparação com o trabalho como treinador de clubes no qual esteve imerso nos últimos 22 anos.

"O trabalho é muito diferente", afirmou. Enquanto nos clubes, a rotina de treinos permite correções no dia seguinte às partidas, na seleção, há um espaçamento maior no trabalho de busca por uma formação ideal. "O primeiro mês [de trabalho à frente da seleção] foi bem complicado", disse o técnico, que aproveitou a convocação para prestar solidariedade aos jogadores do Fortaleza, que ficaram feridos após o ônibus do time ter sido atacado por torcedores do Sport.

"Tenho certeza absoluta que não foi a torcida do Sport, mas meia dúzia de pessoas totalmente descontroladas e que merecem uma punição muito séria e severa", afirmou o treinador, que chegou a comandar o time de Recife no início da carreira, tendo conquistado o Campeonato Pernambucano em 2006.

Dorival também não acredita que a turbulência política enfrentada pela CBF nos últimos meses, como a destituição e, posteriormente, recondução de Ednaldo à presidência, possa atrapalhar seu trabalho. A convocação nesta sexta-feira foi a primeira desde que o presidente da CBF se viu no meio de uma crise institucional que atingiu a confederação no fim de 2023.

"É um assunto em que eu não entro. Tenho a confiança do presidente para fazer meu trabalho daqui para a frente: preparar a equipe, ganhar jogos e chegar a uma Copa do Mundo que será muito disputada", disse durante sua apresentação como técnico da seleção brasileira.

À frente da equipe, além de conviver com a constante instabilidade na direção da CBF e buscar uma melhor pontuação nas Eliminatórias, Dorival terá como desafio recuperar a equipe para a disputa da Copa América deste ano, nos Estados Unidos.

Questionado sobre a decisão da CBF de não paralisar o Campeonato Brasileira durante a disputa da Copa América —que vai de 20 de junho a 14 de julho— Caetano assinalou que o calendário esportivo é bastante apertado, com as Datas Fifa, os torneios nacionais, como o Brasileiro, e internacionais, como o Mundial de Clubes. "Existe o ideal e o possível."

*

GOLEIROS

Bento (Athletico)

Ederson (M. City)

Rafael (São Paulo)*

ZAGUEIROS

Beraldo (PSG)*

Gabriel Magalhães (Arsenal)

Marquinhos (PSG)

Murilo (Palmeiras)*

LATERAIS

Danilo (Juventus)

Yan Couto (Girona)

Ayrton (Flamengo)

Wendel (Porto)

MEIO-CAMPISTAS

André (Fluminense)

Andreas Pereira (Fulham)

Bruno Guimarães (Newcastle)

Casimiro (M. United)

Douglas (Aston Vila)

João Gomes (Wolverhampton)

Lucas Paquetá (West Ham)

Pablo Maia (São Paulo)*

ATACANTES

Endrick (Palmeiras)

Gabriel Martinelli (Arsenal)

Rafinha (Barcelona)

Richarlison (Tottenham)

Rodrygo (Real Madrid)

Savinho (Girona)*

Vinicius Junior (Real Madrid)

*Jogadores convocados pela primeira vez para a seleção principal


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