Deyverson é o sapinho do Palmeiras que virou príncipe, define Abel Ferreira

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

28/11/2021 9h03 — em Esportes

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Deyverson começou a chorar segundos após fazer o gol do título da Libertadores do Palmeiras. Isso se tornaria comum nos minutos seguintes. Ele desabou em lágrimas ainda dentro de campo, assim que a final acabou. De novo, pouco depois, ao ser lembrado dos problemas que teve no clube. Por último, ao falar da gratidão ao técnico Abel Ferreira.

"Ele é um sapinho que beijamos e transformamos em príncipe", definiu o português.

Deyverson, o autor do segundo gol palmeirense na vitória sobre o Flamengo por 2 a 1, na decisão continental deste sábado (27), em Montevidéu, tem algo que agrada aos treinadores. Mesmo que nem todos os torcedores consigam enxergar isso.

Luiz Felipe Scolari insistiu com o centroavante brigador e persistente. Recebeu a recompensa quando o jogador anotou em São Januário o gol que garantiu o título brasileiro de 2018. Abel Ferreira aceitou a volta dele do futebol espanhol e o integrou ao elenco neste ano.

"É meu segundo gol de título. Sou grato a Deus pelo que me proporcionou. Ele [Abel Ferreira] falou que eu sou um menino brincalhão, que jogo pelo grupo. Fico feliz em ouvir isso. Tenho uma gratidão eterna por ele, que me trouxe ao clube que amo", disse depois da festa da vitória.

Deyverson definiu seu lance do título como um momento de insistência. De crer que algo poderia acontecer. Foi assim que recuperou a bola em momento de pane mental de Andreas Pereira e tocou na saída do goleiro Diego Alves.

"Ele continuou trabalhando muito mesmo quando não estava jogando. Nunca deixou de acreditar", afirmou Breno Lopes, outro atacante reserva que entende a dimensão do que aconteceu com Deyverson neste sábado.

No final de janeiro, Lopes também saiu do banco do Palmeiras em uma final de Libertadores (a de 2020) e decidiu. Fez o gol contra o Santos no último minuto dos acréscimos.

Eles nem são o primeiro caso da história recente do Palmeiras de centroavantes desacreditados pela torcida e que se tornaram salvadores. O gol do título da Copa do Brasil de 2012 foi feito por Betinho. O esforçado atleta deu a si mesmo um apelido que caberia ainda mais em Deyverson: predestinado.

Na teoria, o herói da Libertadores do clube alviverde de 2021 nem deveria ser a primeira opção para entrar durante a decisão. Luiz Adriano estaria na frente entre as opções ofensivas. Mas ele não se encaixava na característica desejada por Abel Ferreira para aquele momento de final: alguém disposto a se sacrificar, a correr, pressionar, brigar contra os flamenguistas.

"Eu realmente tive altos e baixos. Sei que cometi muitas falhas, mas nunca deixei de trabalhar e ajudar meus companheiros", disse Deyverson.

Uma dessas falhas veio em um gesto que poderia ser cometido pelo mais fanático dos torcedores.

O Atlético-MG chegou a pedir os pontos da segunda partida da semifinal da Libertadores porque o jogador, então na reserva, invadiu o campo quando a bola ainda estava em jogo, instantes antes de Dudu fazer o gol do empate e da classificação.

"Todo mundo sabe que sou vascaíno desde pequeno, não troquei de clube, mas eu amo o Palmeiras e sou palmeirense", completou.

Deyverson credita o gol, o título em Montevidéu e a volta ao futebol brasileiro a Abel Ferreira. Repetiu isso várias vezes apenas para deixar que era grato. Porque Deyverson acredita que o momento é o mais importante. E depois do que lhe aconteceu no estádio Centenário, quem dirá se tratar de uma mentira?

"O Abel colocou o peito por mim e falou que eu faria meu nome mais uma vez. Isso é gratidão. Perdoem e amem porque o amanhã não existe."


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