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Depois de surfar na onda do petróleo, Macaé tenta sobreviver à crise

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A queda do preço do barril de petróleo, agora em recuperação no mercado internacional, e a mudança da política de distribuição dos royalties, que passou a incluir estados e municípios não produtores, tiveram impacto decisivo na rotina orçamentária dos municípios do Norte Fluminense. O problema atingiu as contas do Macaé Esporte Clube, único representante da região na fase final do Campeonato Carioca, que recebe o Flamengo neste sábado, às 19h30m, no Estádio Cláudio Moacyr de Azevedo. Em campo, o time vai em busca de um feito que, há poucas temporadas, era considerado mais do que natural: a manutenção na Série A. Passada a era de abundância, a equipe enfrenta dificuldades para driblar a escassez de recursos e ainda não encontrou uma saída segura para ela.

Desde o início dos problemas, intensificados pela crise financeira enfrentada pelo estado, empresas locais reduziram os investimentos e o clube perdeu fontes de financiamento. Com elas, se foi também o verniz de promissor, que o conduziu à Série B do Brasileiro. Na derrocada, o Macaé parecia a caminho do fundo de um poço onde não havia óleo ou qualquer outra riqueza. Desde 2016, foram três rebaixamentos consecutivos, dois em Campeonatos Brasileiros e um no Carioca. O presidente Theodomiro Bittencourt, o Mirinho, explica que, apesar de o Macaé ser conhecido como um “clube de prefeitura”, há dois anos não recebe qualquer recurso do município. A presença nas taças Guanabara e Rio ocorre após ter superado uma seletiva com outros cinco clubes. Sacrifício para o qual, sem recursos, o Macaé precisou oferecer, sem contrapartida financeira, seu principal atrativo comercial: o uniforme, que usa para fazer permutas.

— Uma empresa nos disponibiliza os ônibus para o deslocamento do time. Não pagamos por ele, mas estampamos a marca da empresa na camisa. O mesmo acontece com uma clínica médica, onde o elenco faz exames e tratamentos, e com a hospedagem. Tivemos também problemas para jogar em casa, por falta de laudos do estádio, que é municipal. Os desafios foram muito grandes para estarmos aqui hoje, e conseguimos, em um momento em que ninguém dava nada pelo clube. Mesmo assim, estamos com os salários em dia. O que falta para decolarmos é o apoio financeiro de umas três empresas — afirma.

Mirinho é visto pelo mercado como um dirigente centralizador. Diversos membros de sua família fazem parte da diretoria, que já teve o filho Valter Bittencourt, hoje seu vice-presidente, como mandatário, no período em que o pai esteve licenciado para exercer mandato de vereador e para ser secretário municipal de Esporte e Lazer. Na Taça Guanabara, o Mirinho voltou a mostrar a face controvertida ao demitir o goleiro Andrey, ex-Grêmio, após uma falha que resultou em derrota por 2 a 1 para a Portuguesa. Incidente que considera superado.

— Na hora fiquei com muita raiva. Houve outros problemas internos que me fizeram tomar essa decisão, mas já passaram. No Macaé, quem monta o elenco sou eu. É claro que o treinador sempre tem um papel importante, indica um jogador ou outro, e eu ouço, para compor. Mas a decisão é minha e, na minha diretoria, funciona da mesma maneira — enfatiza Mirinho.

BOA ESPORTE É EXEMPLO A SER SEGUIDO

Esse modo de trabalhar fez o dirigente trazer o atacante Pipico para sua quarta passagem pelo clube. Embora enfatize sua maneira de trabalhar, a falta de recursos esvazia a caneta do presidente. Mas o problema pode, a médio prazo, se transformar em solução. Três jogadores formados nas divisões de base se consolidaram na equipe principal e têm se destacado: o volante Charles, o meia Lepu e o atacante Mateus Babi. Veterano no clube, onde pegou os tempos de bonança, com o título da Série C de 2014, lembrado em uma inscrição nas arquibancadas, o técnico Josué Teixeira aponta o caminho.

— O presidente ainda tem uma visão antiga, mas está se assessorando com membros da nova geração da família e trazendo gente de fora para trilhar essa mudança. O Macaé não aproveitou seu melhor período para se estruturar, investir na base e ter um centro de treinamento próprio. Agora, está pagando por isso. Precisa trabalhar para se tornar um clube formador, porque receitas de transmissão e de bilheteria não podem sustentar ninguém. Estamos mirando no modelo do Boa Esporte (MG), que funciona assim — ensina.

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