José Mourinho não tem constrangimentos quando se trata de montar estratégias que, na sua visão de futebol, conduzam à vitória. E se habitou a vencer à sua forma. Nesta quarta-feira, com seu time quase cinco vezes mais valioso no mercado, protagonistas de transferências caríssimas e diante de um rival repleto de garotos, um deles com 17 anos compondo um time com 22,7 anos em média, dedicou-se a tirar espaços do rival, apostar em 90 minutos de pragmatismo. Pode não ser bonito, generoso com o jogo, com o espetáculo. Pode não ser o tipo de jogo que leva as pessoas a se apaixonarem pelo futebol, mas seu Manchester United venceu o Ajax por 2 a 0 e levantou a Liga Europa, primeiro título do clube desde o fim da era Alex Ferguson.
O único compromisso de Mourinho parece ser com as taças. Andavam rareando nesta sua fase em que a obsessão pela destruição parecia inibir a construção. Ontem, acrescentou outro troféu a sua impressionante lista: 16 títulos nas últimas 15 temporadas, sendo oito ligas nacionais, quatro copas nacionais e quatro títulos europeus.
A final não foi exuberante. Acabou premiando um sistema de marcação montado de forma impecável. E a eficiência nas chances. Os números do jogo revelam a admirável predisposição à ousadia deste jovem time holandês. A ocasião não mudou suas ideias, não podou seu atrevimento. Teve 67% de posse de bola, trocou 564 passes contra 189 do Manchester, arrematou oito vezes contra cinco do adversário. Mas, de fato, o time de José Mourinho poucas vezes permitiu que os holandeses tivessem a sensação do gol, do real perigo. Para tanto, pesou a marcação implacável do United e uma certa falta de soluções do Ajax em seu jogo de posse de bola.As circunstâncias contribuíram com os planos de Mourinho, que encontrou o gol aos 17 minutos. Já tivera boa chance em finalização de Pogba, logo no início. Via o Ajax tomar a iniciativa, se posicionar no campo de defesa dos ingleses, tentar jogar. Mas encontrava uma marcação que cortava as linhas de passe e criava as condições para o contragolpe. Num chute de Pogba, um desvio do defensor colombiano Davinson Sánchez traiu o goleiro Onana.
Se já era pragmático antes, não seria com a vantagem que o Manchester United mudaria planos. E uma bola parada, no início do segundo tempo, encaminhou de vez a vitória. Um córner encontrou Mkhitaryan, logo aos dois minutos, para fazer 2 a 0.
O Ajax lançou David Neres como uma de suas opções ofensivas. Rondou a área do United, mas não evitou a derrota. Deixou bonita impressão, escreveu uma bonita história. Mas foi a estratégia de Mourinho que saiu vencedora da Suécia.

