"Acho uma vergonha termos chegado atrasados para a festa. Deveríamos ter trazido nossos outros canais há muito tempo", admite Paul Dempsey, presidente do setor de mercados globais da BBC Worldwide, braço comercial da rede britânica. Entretanto, o executivo vê um aspecto positivo na defasagem. "O bom é que podemos ser experimentais quando os outros estão nervosos sobre o que fazer na TV paga. É tudo novo para os exibidores tradicionais", disse à reportagem.
Dempsey e outros executivos da emissora foram ao Rio para o BBC Show Case da América Latina, evento em que mostram as novidades e negociam programas com as redes locais. Na ocasião, afirmaram que pretendem aumentar os investimentos no País.
"O Brasil é um lugar onde estamos investindo mais. Estou tentando evitar a desculpa de ser um país dos Brics (ao lado de Rússia, Índia e China), que são dinâmicos, com grande população, e economia crescente. Vejo isso na Rússia e na China, onde há milhões de pessoas querendo um futuro melhor. Aqui, há a classe C", diz.
Apesar de mirar o Brasil, o executivo ainda não dá detalhes de como a lei da TV paga, que obriga os canais a cumprir cota de produção nacional, está afetando a BBC HD, canal de entretenimento daqui. "Sou bem novo no mercado brasileiro, é minha primeira vez aqui. Com ou sem regulamentações, é sensato haver produções locais. A melhor proposta é ter um desafio global, ter os mesmos programas, como dramas e (a série) Doctor Who, que funcionam em todos os lugares e, ao mesmo tempo, ter coisas locais no mesmo canal ou serviço. No Brasil, estamos produzindo, mas é bom para o mundo todo. Podemos fazer programas aqui com o mesmo estilo e qualidade, mas com pessoas locais que entendem o que o mercado brasileiro quer", afirma.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

