Atletas são vacinados contra Covid, e governo garante reposição de doses do SUS

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

14/05/2021 16h05 — em Esportes

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A vacinação dos atletas olímpicos e paraolímpicos brasileiros que irão disputar os Jogos de Tóquio começou nesta sexta-feira (14).

No Rio de Janeiro, as primeiras doses foram aplicadas pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na campeã mundial de maratonas aquáticas Ana Marcela Cunha e no remador paraolímpico Michel Pessanha, em cerimônia no Centro de Capacitação Física do Exército (CCFEx), na Urca, Zona Sul da cidade.

As vacinas que vão imunizar cerca de 1.800 pessoas (281 nesta sexta) das delegações brasileiras em seis capitais são do SUS e serão repostas pelas doações de farmacêuticas repassadas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) aos países.

O cronograma de reposição não foi divulgado pelo Ministério da Saúde nem pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil). Para cada dose aplicada, duas serão doadas ao Plano Nacional de Imunização. Ao todo serão 4.050 da Pfizer e 8.000 da Sinovac (Coronavac). Além de atletas, serão vacinadas comissões técnicas, jornalistas e demais profissionais credenciados.

A vacina aplicada será a da Pfizer, cuja aceitação é maior nos países onde os atletas irão treinar e o intervalo entre as doses é menor, 21 dias. Diante da escassez de doses no Brasil, o ministro afirmou que a vacinação dos atletas não vai afetar a população.

“Não vai haver nenhum prejuízo para a população. Vamos passar o cronograma para mostrar que não haverá fura-fila”, disse Queiroga.

Vacinado nesta sexta, Marcus Vinicius D'Almeida, atleta do tiro com arco, recentemente foi impedido de competir na Guatemala por não estar imunizado. Ele defendeu o sistema de doação de doses do COI.

“Agora vacinado, perco o medo de ficar doente e todo o trabalho ir abaixo. Senti segurança para meu trabalho. Se não fosse pelos atletas, não chegariam mais doses”, declarou.

É importante lembrar que nenhuma vacina garante 100% de eficácia contra o coronavírus Sars-CoV-2, como qualquer tratamento de saúde, mas diminui muito os riscos de complicações e mortes.

Para a nadadora Larissa Oliveira, a sensação de ter sido imunizada é indescritível. "É difícil encontrar palavras ao ser vacinada. Essa emoção é a mesma que eu espero que todos os brasileiros sintam quando estiverem vacinados."

Segundo o COB, 200 atletas que estão no exterior ficaram de fora da lista de vacinação entregue ao governo. Alguns que vivem ou estão treinando em países com o ritmo de vacinação acelerada, como nos Estados Unidos, conseguiram se imunizar.

"O Japão não exige vacinação dos atletas. Então surgiu essa oferta de vacinas do COI para todos os países. Sabemos que a vacina não dá garantia de 100% de não adoecer, mas se vacinar é um ato de cidadania para cuidar do próximo", disse Paulo Wanderley Teixeira, presidente do COB.

Além do Rio, os integrantes da delegação olímpica também poderão se vacinar em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza. As seleções de vôlei foram imunizadas em Saquarema (RJ), onde treinam em preparação para a Liga das Nações, que começa no fim deste mês.

Na capital paulista, as doses são aplicadas no Centro de Treinamento do Comitê Paralímpico Brasileiro. O primeiro imunizado no local foi o judoca Antônio Tenório, 50, ganhador de seis medalhas em Jogos desde 1996.

Neste ano, ele, que é cego, contraiu Covid e chegou a ser internado na UTI com 80% do pulmão comprometido. Recuperado, deixou o hospital em abril. "Quando competir de novo, serão duas comemorações: uma pela medalha e outra pela vida", afirmou à Folha no último mês.

Em Tóquio, os atletas serão rastreados por um aplicativo e farão testes todos os dias. Os Jogos Olímpicos vão de 23 de julho a 8 de agosto, e os Paraolímpicos, de 24 de agosto a 5 de setembro.


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