RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O Bayer Leverkusen teve uma estadia movimentada no Rio de Janeiro nas últimas duas semanas. Já voltou para casa, mas não sem antes ter um almoço com a diretoria do Flamengo. No menu, além de aproveitar a vista de um restaurante no Jockey Club do Rio, um papo sobre liga, relações políticas e geração de receitas.
A presença do clube alemão, como um todo, mesclou objetivos técnicos, comerciais e também de relacionamento com clubes brasileiros. O Flamengo, que foi o anfitrião, teve contato mais próximo.
O CEO do Bayer Leverkusen, o espanhol Fernando Carro, conversou com a reportgem e contou como foi a experiência. O papo aconteceu na noite de despedida da delegação alemã, que foi convidada para um evento no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio.
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PERGUNTA: Como avalia a estadia no Rio para essa pré-temporada?
Fernando Carro: Muito positiva. A relação com o futebol brasileiro se fortaleceu muito. Estivemos na CBF também, com Juan, Ramon, ex-Bayer Leverkusen, e o presidente. Também com o Flamengo, que tivemos muito boa relação e nos tratou muito bem. E também com as lendas brasileiras que jogaram no Bayer, como Paulo Sérgio, Jorginho, Zé Elias e Renato Augusto, por exemplo. É uma sensação de que uma amizade de muitos anos se fortaleceu. E é bom para o futebol alemão, para o futebol brasileiro, para Flamengo e Leverkusen. Um ganha-ganha para todos.
P - Do ponto de vista administrativo, o que o Bayer quer tirar dessa experiência e também quer trazer para o Brasil?
Fernando Carro: É trocar ideias sobre futebol a nível mundial. A importância do Mundial de Clubes, da colaboração entre equipes, a relação entre Europa e América Latina. Conhecer um ao outro é muito importante. Isso abre as portas para fortalecer as relações ainda mais. Não há um projeto específico. Mas ficamos nas suas instalações, vimos como trabalham aqui. Temos uma boa relação com Filipe Luís, a quem tentamos contratar em 2019. Todo o Flamengo está convidado sempre que queira ir à Europa. Fortalecemos as relações com os clubes. Ao final, são os clubes que colocam o dinheiro e têm um grande poder de decisão no futebol.
P: Você teve um almoço com o presidente Bap e outros dirigentes do Flamengo. Qual a linha da conversa que tiveram?
Fernando Carro: Falamos sobre isso. Cada país é diferente. Conmebol é diferente da Uefa. Há uma relação estreita entre os clubes da Uefa. Existe uma empresa conjunta, a UC3, que vende os direitos de transmissão das competições europeias. Eu expliquei a Bap como funciona o futebol alemão, a liga alemã independente da federação, a relação com os clubes europeus. Mas o Brasil é uma Europa. É tão grande. Ele me explicou como nasceu o Brasileirão. Foi interessante conhecer de onde vem o futebol brasileiro. E por isso entendo que a situação no futebol brasileiro é um pouco diferente. Vejo que os clubes cariocas têm boa relação. Tem torcida mista nos clássicos. O Brasil é quase um continente. É preciso ser realista. Falamos também de Flamengo, que não está endividado, como aumentou as receitas.
P: Qual sua visão sobre o Mundial de Clubes?
Fernando Carro: Mostrou que é uma competição, sobretudo na América Latina, que teve muito interesse. Brasil quer receber a próxima edição, em 2029. Eu acredito que o calendário é difícil. Atualmente, no mundo do futebol, a coordenação do calendário é muito difícil. Há competições que vão de agosto a maio. Outras, de março a dezembro. Encontrar a data ideal para o Mundial de Clubes com todos os continentes é muito difícil. A data para os europeus não foi a ideal. Mas acho que veio para ficar.
P: Você é de Barcelona, onde o maior clube é associativo. Mas trabalha em um clube que é de uma empresa. Qual o modelo ideal?
Fernando Carro: Eu acredito que cada clube tem que encontrar o modelo ideal. Mas ao fim das contas, o futebol é dos fãs. Seja o dono uma empresa, como é o nosso caso, ou seja uma associação. Ao final, trabalhamos para os torcedores. Queremos sucesso desportivo para os nossos seguidores. A estrutura jurídica do clube não importa. Ao final, todos jogamos futebol e queremos ganhar para os nossos torcedores. O Bayer nasceu dos empregados da empresa. Mas temos muitos mais torcedores que não trabalham lá.
P: O que aconteceu no amistoso que o Bayer perdeu por 5 a 1 do sub-20 do Flamengo?
Fernando Carro: O sub-20 do Flamengo é muito bom. Temos que dar os parabéns ao Flamengo, é um grande clube.
P:Vão contratar alguém daqui?
Fernando Carro: Muito cedo para dizer.
P: O que dá para dizer sobre o futuro imediato do Bayer no Brasil?
Fernando Carro: Lançamos as redes sociais em português, uma academia em São Paulo e vamos apoiar Jorginho na academia que tem na favela em que nasceu. Ficamos impressionados com a visita que tivemos. Vamos manter a rede com o Flamengo. Nasceram coisas antes e vão nascer coisas depois.


