Em reunião realizada nesta quarta-feira (08) entre 19 clube que compõe a série A do Campeonato Brasileiro de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), foi decidido que o Brasileirão não terá público até que a grande maioria dos estádios liberem a presença da torcida. O único clube da Série A, que não compareceu a reunião, foi o Flamengo. O time carioca possui uma liminar na Justiça para poder ter público nos seus jogos como mandante. Os 19 clubes restantes pretendem derrubar a decisão da justiça e ameaçam não entrar em campo caso o Rubro-Negro seja o único com a presença de torcida em seus jogos. No dia 28 de setembro haverá uma nova reunião que pode definir a volta do público para o dia 2 de outubro.
Os 19 clubes que compareceram a reunião aprovaram por unanimidade a proposta feita pelo Sport-PE, que era de manter os jogos sem público até o dia 2 de outubro, quando a CBF pretende conseguir a liberação de torcida no estádio na maioria dos estados brasileiros. Os clubes decidiram que devem adiar a rodada se o Flamengo tiver público em seu jogo como mandante ou algum clube use a decisão da justiça para ter a torcida em seus jogos. A decisão que ninguém vai entrar em campo se isso acontecer, também foi unanime. Quanto a liminar que libera a torcida nos jogos do Flamengo em casa, os clubes vão solicitar na justiça para derrubar a decisão com uma mandado de garantia. O pedido é para que a torcida só seja liberada quando todos os clubes da Série A puderem ter o público em seus jogos.
O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, não gostou da ideia e disse que seu time não entra em campo se o time carioca colocar torcida no duelo pelas quartas de final da Copa Do Brasil contra o time gaúcho. O Flamengo divulgou em nota que não cabe a CBF ou aos clubes de permitir a presença ou não dos torcedores no estádio, por não se tratar de sua competência esportiva.
Nota do Flamengo
"O Clube de Regatas do Flamengo, tomando conhecimento da sua convocação pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para participar de uma reunião do Conselho Técnico, hoje, dia 8 de setembro de 2021, com pauta única para deliberar sobre o retorno de público aos estádios nas partidas das competições nacionais, vem prestar os esclarecimentos a seguir.
Desde que as autoridades públicas permitiram o retorno do futebol sem público, o Flamengo sustenta, de forma clara e inequívoca, que não cabe à CBF ou aos clubes deliberar acerca da existência ou não de público nos estádios, por não se tratar de matéria de sua competência desportiva.
Nesse sentido, em 26 de setembro de 2020, o Flamengo publicou uma nota oficial expondo que, segundo já havia decidido o Superior Tribunal Federal (STF), compete exclusivamente às autoridades governamentais locais dispor sobre a possibilidade ou não de público em eventos esportivos ou de outra natureza.
De forma coerente com o que sempre defendeu, o Flamengo ajuizou uma medida cautelar perante o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) visando obter uma decisão que reconhecesse que não cabe à CBF interferir na questão extracampo e sanitária que é a retomada de público nos estádios.
O Exmo. Presidente do STJD, Dr. Otávio Noronha, proferiu uma decisão liminar reconhecendo que não compete à CBF tratar dessa questão (verbis): "Não cabe em princípio, à Entidade de Administração do Desporto, se imiscuir e negar vigência à execução do conjunto de medidas adotadas pelo Estado, para a retomada gradual das atividades – inclusive com reflexos na economia – por lhe faltar, além de competência, o adequado respaldo técnico e a legitimidade atribuída aos governantes democraticamente eleitos".
Após mais de um ano e meio de futebol sem público, o Flamengo enxerga a retomada do público ao futebol, autorizada pelas autoridades governamentais responsáveis, como uma questão de suma importância, tanto no relacionamento dos clubes com seus torcedores como também na sobrevivência financeira das entidades desportivas.
Vale dizer que a própria Conmebol já reconheceu que a volta do público aos estádios é uma questão sanitária que deve seguir a normatização dos governos locais, razão pela qual o Flamengo já vem jogando com público na Libertadores, independentemente de como estejam nesse particular as outras praças esportivas.
Nesse contexto, o Flamengo, embora tenha sempre prazer em estar com os demais clubes e de estar presente na CBF, por uma questão de princípio e de lógica jurídica, não poderá aceitar a convocação feita, porque entende que seria um contrassenso participar de uma sessão deliberativa acerca de um tema que escapa à competência desportiva da CBF, está reservado às autoridades locais e colide com a decisão proferida pelo egrégio STJD, na pessoa de seu presidente."

