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Torcedores e até funcionários do hotel não veem Messi em Salvador

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SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Afastada do centro de Salvador, a seleção argentina não tem tido qualquer contato com torcedores. Os treinos no CT do Vitória, no Barradão, são fechados ao público e poucas pessoas vão ao local tentar ver Lionel Messi mesmo que de longe e por alguns segundos. Nesta quarta (12), duas famílias rondavam pelas redondezas, mas em vão.

O hotel onde a delegação está hospedada também não permite acesso a quem não é hóspede. A polícia e seguranças privados fecharam os arredores.

Nem mesmo os funcionários do hotel de quatro estrelas em que os jogadores estão têm tido qualquer contato com os atletas. Questionados pela reportagem, dois deles se queixaram por não terem sequer visto Messi até agora. Nem mesmo na hora das refeições.

A AFA (Associação de Futebol Argentino) fechou dois andares do complexo a cinco quilômetros do aeroporto internacional de Salvador. Os refeitórios são reservados. Apesar de existirem outros hóspedes, como jornalistas e comentaristas de canais de TV da Argentina, esses têm pouco contato com os jogadores.

O único barulho é protagonizado pelos torneios de truco realizados pelo elenco, em que são feitas apostas e há ligas com promédios, o complicado sistema de rebaixamento utilizado pelo futebol argentino, criado originalmente para evitar que times grandes caíssem.

"Outro dia estava no quarto e ouvi um barulho enorme. Parecia que estava em um estádio de futebol. Era o truco", disse Germán Pezzella, um dos que não fazem parte dos torneios.

Como desta vez não haverá uma sede fixa e as seleções vão viajar de uma cidade para a outra, a seleção argentina evitou trazer a Salvador grande quantidade de comida, bebida e mate. A avaliação é que novas remessas podem chegar rapidamente de um dia para o outro. Nada parecido com o que aconteceu em Bronitsi, bunker da equipe na Rússia em 2018. Para lá, a AFA levou um contêiner de carne, 200 quilos de mate e mandou construir churrasqueiras.

Para Salvador, foram levados pouco menos de 30 toneladas de mate, erva usada por todos os jogadores para bebida. Mesmo assim, a Argentina trouxe para a primeira semana de Copa América 4,5 toneladas de bagagem.

A dificuldade não afastou todos os fãs de Lionel Messi e da seleção argentina. Nesta quarta, enquanto os jogadores se preparavam para ir ao treino no CT do Vitória, o estudante baiano Matheus Floresta, 18, esperava apoiado na grade colocada pelos seguranças, a 30 metros da entrada principal do hotel. Camisa da Argentina no ombro, ele tinha esperança de conseguir ver o jogador cinco vezes melhor do mundo e pegar um autógrafo. Ele era o único no local.

Floresta dizia esperar amigos que ainda chegariam e lamentava o azar que teve na terça (11), quando também estava por ali um pequeno grupo de argentinos. Quando a delegação entrava no ônibus estacionado estrategicamente de frente para a entrada, para evitar que o público visse os atletas, um dirigente da AFA se aproximou e recolheu as camisas dos torcedores para recolher assinaturas dos jogadores. O brasileiro tentou dar-lhe sua camisa do Barcelona, com o nome de Messi.

"Apenas camisas da Argentina!", disse o cartola.

E Floresta ficou sem autógrafos.

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