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Mulheres jogam Copa do Mundo menos globalizada

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A maioria das seleções na Copa do Mundo feminina da França conta principalmente com jogadoras que atuam em seu próprio país, uma tendência há anos abandonada no torneio masculino.

Segundo a lista de jogadoras que disputam o Mundial divulgada pela Fifa, 59% das atletas convocadas (326 de um total de 552) atuam no seu país natal. No Mundial masculino de 2018 esse índice era de 28,7% (211 de 736 jogadores).

E não se trata de uma distorção causada por um ou outro país: 14 dos 24 times (58%) no Mundial têm mais de dez atletas de suas ligas locais, enquanto na Copa do Mundo da Rússia isso só acontecia com 6 das 32 seleções (19%).

Os números não são resultado de uma preferência dos técnicos das seleções femininas. Eles expõem o estágio de desenvolvimento da modalidade, que ainda não foi capaz de criar um mercado internacional de transferências tão dinâmico quanto o masculino.

Segundo dados do sistema de transferências da Fifa (TMS), no ano passado foram realizadas 696 transferências internacionais de jogadoras de futebol, movimentando um total de cerca de US$ 563 mil (R$ 2,2 milhões). Já no masculino, foram 16,5 mil transferências, totalizando cerca de US$ 7 bilhões (R$ 27 bilhões) movimentados.

Mesmo diante dessa realidade, apenas os Estados Unidos disputam o Mundial feminino com todas as 23 convocadas atuando na liga do próprio país -assim como aconteceu com a Inglaterra na Rússia.

Maiores campeões da Copa do Mundo feminina, com três títulos (1991, 1999 e 2015), os Estados Unidos também são o país que mais cede jogadoras de suas ligas para o torneio. São 73 atletas de equipes americanas no Mundial da França, equivalente a 13,2% do total.

No masculino, o posto é da Inglaterra, dona da liga nacional mais rica e globalizada do planeta. No Mundial da Rússia, em 2018, os clubes ingleses cederam 124 atletas para seleções, o que representa 16,8% do total de convocados.

O domínio americano, porém, se dá mais devido ao grande número de jogadoras convocadas para as seleções do Canadá (13), da Austrália (12) e da Jamaica (10) -países cujas atletas, por motivos geográficos e econômicos, têm participação maior na liga americana- do que propriamente pela força da NWSL, principal liga feminina de futebol profissional do país.

Segundo levantamento de 2017 do site britânico Sporting Intelligence, os times das principais ligas da França, da Alemanha e da Inglaterra pagam em média salários mais altos do que a NWSL.

Assim, não é de se espantar que os clubes americanos não figurem entre os que mais cedem jogadoras para a Copa.

O Barcelona (ESP), finalista derrotado da última Champions League feminina, detém o posto, com 15. O campeão europeu Lyon (FRA) está logo atrás, com 14.

Os times americanos aparecem na lista só a partir da 12ª posição: Orlando Pride, Reign FC e Portland Thorns cederam oito jogadoras para o Mundial cada um, mesmo número, por exemplo, do Wolfsburg (ALE), da Juventus (ITA) e do Atlético de Madri (ESP).

O grande número de atletas desses times europeus ajuda a confirmar o estágio ainda incipiente do intercâmbio de jogadoras com outros países.

Dez das 15 atletas do Barcelona que estão na Copa atuam pela seleção espanhola.

A seleção brasileira, por sua vez, aparece entre as equipes com menos jogadoras oriundas de times locais, com sete. Resultado de ter uma liga feminina que só agora começa a dar os primeiros passos rumo à profissionalização.

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