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Maior ídolo do Coritiba, Dirceu Krüger morre aos 74 anos

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Considerado o maior ídolo da história do Coritiba, Dirceu Krüger, 74 anos, 53 dos quais dedicados ao clube alviverde, faleceu na manhã desta quinta-feira (25), em Curitiba, após uma parada cardiorrespiratória durante a madrugada. O ex-meio-campista sofria com complicações intestinais desde os anos 70, após um choque durante um jogo.

Como jogador, o Flecha Loira, como era mais conhecido entre os torcedores, defendeu a equipe entre os anos de 1966 e 1975 e conquistou sete campeonatos estaduais. Ele também chegou a comandar o time em 185 partidas e atualmente fazia parte do quadro de funcionários do clube.

Homenageado em vida com uma estátua em frente ao estádio Couto Pereira, bancada pela mobilização da torcida coxa-branca, Krüger foi destaque na época áurea do Coritiba, quando enfileirou taças do Paranaense e o Torneio do Povo em 73, competição nacional organizada pela CBD e que pretendeu reunir os clubes de maior torcida na época em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná.

Nas mais de cinco décadas dedicadas ao futebol, Krüger foi jogador, técnico, auxiliar e diretor no Coritiba. Seguiu funcionário do clube até o momento da morte, após trocar o extinto Britânia (um dos clubes que deu origem ao Paraná Clube) pelo time alviverde em 1966. Foram 252 partidas como jogador.

"Um craque como poucos. Foi uma marca, sem dúvida alguma. Um jogador extraordinário, mas principalmente pelo caráter, conquistou a simpatia de todos e até o respeito do adversário", comentou o jornalista e narrador esportivo Carneiro Neto, que acompanhou a carreira do Flecha Loira, apelido que ganhou pela mobilidade em campo.

Em 1970, Krüger quase morreu após um jogo pelo Coritiba. Era 11 de abril, dia em que o jogador completava 25 anos. Em uma partida contra o Água Verde, o jogador dividiu com o goleiro Leopoldo, que o acertou violentamente na região do intestino. O grave ferimento fez com que Krüger fosse internado, com o órgão danificado a ponto de ter até recebido a extrema-unção, rito católico para enfermos. Ele sobreviveu e voltou a atuar até se aposentar.

Em 1979, fez sua primeira partida como técnico. Um dos jogos em que esteve no comando foi o 0 a 0 com o Goiás no Couto Pereira, na caminhada do Coritiba pelo título brasileiro de 1985, durante a troca de Dino Sani por Ênio Andrade.

Dirceu Krüger emprestou seu nome para uma das taças (ou turnos) do Campeonato Paranaense de 2019, uma homenagem da federação local a ele e ao ídolo atleticano Barcímio Sicupira, que nomeou o outro turno. Desportista, Krüger entregou o troféu com seu nome ao Athletico-PR após a vitória do rival sobre o Coritiba nos pênaltis. Dias depois, foi internado para um procedimento de desobstrução intestinal.

Para o historiador coxa-branca Guilherme Straube, Krüger é o maior ídolo do clube por diversos fatores. "Krüger ocupa este posto, para mim. Estreou contra o Grêmio de Porto Alegre já marcando gol, ao driblar o zagueiro Airton 'Pavilhão'. Jogador extremamente inteligente e rápido, e por isso o apelido 'Flecha Loira', era parado pelos adversários apenas na base da violência. Ele fez o gol da vitória na decisão de 1972 contra o Athletico e ajudou o clube a tornar-se pentacampeão regional. Como treinador das categorias de base, Krüger acompanhou e ajudou a formar todas as gerações de atletas que foram criadas no clube, a partir da década de 1980. Em 2016, a torcida coritibana reuniu-se e financiou a construção de uma estátua de Krüger, em frente ao estádio Couto Pereira. Dificilmente alguém, algum dia, conseguirá fazer pelo Coritiba, o que fez o nosso eterno Flecha Loira."

Na carreira, Krüger não aceitou jogar por outros clubes que não o Coritiba desde que assinou contrato. Em 1971, o Vasco procurou o time alviverde para levar Krüger, mas acabou contratando Kosilek, que fazia dupla com ele. Criou-se então a lenda de que o Chinês, apelido do presidente Evangelino Neves, teria ludibriado o Vasco. "Na época o presidente Evangelino Neves não deixou Krüger aceitar os convites que teve do Flamengo, Corinthians e de outros. Falava-se que o Kosilek foi para o Vasco da Gama confundido com o Krüger. Não é verdade, é uma lenda. O Kosilek também era um ótimo jogador, e o Vasco sabia que o Coritiba não ia deixar o Krüger sair", contou Carneiro Neto.

Krüger deixou a esposa, dois filhos, uma neta e toda a torcida coxa-branca.

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