A inutilidade das coisas (devaneios)
Passada a folia momesca, tento poetizar e divagar. Temos um país tão lindo e rico, cheio de riquezas minerais, vegetais e animais, céu azul, clima excelente, verão quase o ano todo, rios, ribeirões e ribeirinhas, muito ouro, pedra preciosa, sem terremotos, vulcões, nenhum tufão. Mas sem felicidade também. Desempregos, assassinatos, sequestros, miseráveis, madeira roubada. O nosso guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal, com o pior colegiado desde sua constituição. Desigualdade social, cada vez mais desigual. Dá enjoo da realidade. Em busca de um intervalo na lucidez,comecei a divagar. refletindo sobre a inutilidade das coisas.
Do meu quarto, observei o nevoeiro que descia calmo e sonolento na vidraça da janela cansada, o inverno manauara veio forte. Tive uma visão que mais parecia um sonho: num planeta azul, de um azul tão lindo que enchia os olhos de lágrimas, vi uma humanidade de mãos dadas, solidária, justa, compreensiva e amiga. As crianças, felizes, brincando nos jardins, ou indo para a escola. Os homens, todos honestos e justos, solidários, indo para o trabalho. As mulheres, também nos seus variados locais de trabalho, tranquilas por saberem que os seus filhos estavam seguros a caminho da escola sem o risco de serem torturados na creche por qualquer uma “vovó”, além de poder frequentar colégios da melhor qualidade, com professores competentes e afetuosos.
As casas eram confortáveis, os jardins com flores e as hortas com variadas verduras. Nos parques, além das flores, inúmeras e das mais variadas cores, árvores e árvores repletas de frutas. As avenidas eram limpas e lindas, sem um mendigo. Os rios, caudalosos, de água pura e imaculada. Tive vontade de me beliscar, mas não tive coragem. Preferi o sonho, à realidade. Estava exausto de realidade. Não gostaria de ter que dessonhar tudo de novo, magoando-me. Mas confesso, é melhor ter enjoo da realidade do que pedir demissão dessa vida.
ASSUNTOS: Espaço Crítico