Um site de venda de criptomoedas lançado na terça-feira (6) passou a distribuir unidades de um ativo digital chamado B22 a usuários que publicarem nas redes sociais conteúdos de incentivo ao voto em Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República pelo número 22. Pela mecânica divulgada na própria página, quem fizer uma postagem mostrando que participa da comunidade do token pode receber as moedas, que renderiam ganho financeiro em caso de valorização.
A iniciativa é impulsionada por um perfil no Instagram com 12,9 milhões de seguidores, dedicado a arrecadar recursos para crianças em Kampala, capital de Uganda. Vídeos publicados mostram as crianças pedindo confiança em nomes da direita brasileira e cantando jingle com o número do candidato. O site afirma que parte do dinheiro obtido com a venda do token seria destinada à construção de uma casa no país africano. Nas redes, um divulgador do ativo chegou a projetar valorização superior a 3.000% até uma eventual vitória de Flávio no segundo turno.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que o modelo pode esbarrar na legislação. A oferta de vantagem econômica em troca da divulgação de conteúdo favorável a um candidato se assemelharia, segundo eles, aos chamados campeonatos de cortes que levaram à inelegibilidade de Pablo Marçal. Também há a leitura de que o esquema poderia configurar doação de pessoa jurídica a campanha, prática vedada no país. Eventuais responsabilidades, porém, dependeriam de apuração sobre quem criou e financia a estrutura e qual seria a relação efetiva com a candidatura.
Os responsáveis pelo site dizem não ter vínculo oficial com nenhum político e sustentam que a distribuição dos tokens independe de preferência eleitoral. O registro do domínio aparece como privado, o que impede identificar o titular. A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada e ainda não havia apresentado posicionamento sobre o caso.
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