DENVER, Colorado — Professores e funcionários de escolas no estado do Colorado, nos EUA, estão participando de treinamento especial para o manejo de armas de fogo como forma de proteger os estudantes. A primeira turma iniciou o curso de três dias nesta quarta-feira, num campo de tiro no condado de Weld. Defensores alegam que a medida pode fornecer resposta mais rápida que a polícia em casos de tiroteio, mas críticos afirmam que colocar armas dentro da sala de aula não é a melhor saída.
Foi em Colorado que aconteceu um dos piores tiroteios em escolas dos EUA. Em abril de 1999, os alunos Eric Harris e Dylan Klebold foram armados para a Columbine High School, em Columbine, e mataram 12 estudantes e um professor, além de 21 feridos. Desde então, episódios desse tipo se multiplicaram pelo país. Em 2012, Adam Lanza matou 20 crianças e seis adultos na escola infantil Sandy Hook, em Newtown, Connecticut.
A partir desse massacre, grupos de pais de alunos e de agentes da lei criaram em Ohio o “Faster” (Faculty Administrator Safety Training and Emergency Response), organização sem fins lucrativos para o treinamento de professores e funcionários de escolas na resposta a situações de emergência. Além do manejo de armas de fogo, os participantes recebem treinamento médico para lidar com feridos por tiros.
— Em poucas palavras, é um treinamento para professores e outros funcionários serem a primeira resposta armada em suas escolas — disse Laura Carno, fundadora do grupo conservador Coloradans for Civil Liberties, responsável por levar o Faster de Ohio para Colorado.
Na primeira turma, o Coloradans for Civil Liberties pagou o curso de 17 profissionais que trabalham em escolas do estado, principalmente em áreas rurais.
— Estou à procura de tudo o que for possível para garantir a segurança dos estudantes — disse Ronnie Wilson, que planeja abrir uma escola em Colorado Springs, à emissora local 9News.
Wilson, o único dos participantes que aceitou conversar com a imprensa, contou que recebe cada vez mais perguntas de pais sobre as medidas de segurança para os alunos. A identidade dos outros profissionais foi mantida em sigilo por questões de segurança.
— Se um cara mau tem a intenção de atacar uma determinada escola, se ele souber qual funcionário está armado, ele tem uma vantagem estratégica — explicou Laura.
Pelas leis do Colorado, professores e funcionários de escolas podem portar armas escondidas, desde que possuam permissão e tenham sido designados como seguranças pelo conselho escolar.
Tom Mauser, que perdeu o filho, Daniel, no massacre de Columbine, é crítico da medida. Membro do grupo Colorado Ceasefire, Mauser não vê problemas em escolas terem seguranças profissionais armados, mas se preocupa com a possibilidade de professores carregarem armas.
— Esses professores não terão o nível de treinamento de um agente da lei ou de guardas de segurança — disse Mauser. — Se você tem mais de uma pessoa armada, acontecerão trocas de tiros. E os professores se tornarão os primeiros alvos, e quando os agentes da lei chegarem eles não saberão quem são os caras maus.
Ken Toltz, fundador do grupo Safe Campus Colorado, também faz duras críticas à abordagem da Faster para garantir a segurança de estudantes.
— Os perigos de se adicionar armas ao ambiente escolar aumentam drasticamente — criticou Toltz. — A Faster foi criada e é promovida pelo lobby da indústria de armas de Ohio.

