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Desempenho de estudantes no Enem cai em Ciências Humanas

RIO E BRASÍLIA — O Ministério da Educação (MEC) divulgou, ontem, as notas individuais dos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016, além das médias alcançadas pelos candidatos em cada área de conhecimento. A pasta apresentou pontuações médias unificadas a partir dos resultados dos exames aplicados nos dias 5 e 6 de novembro e nas provas dos dias 3 e 4 de dezembro, quando foi realizada a avaliação dos candidatos prejudicados pela ocupação estudantil nas escolas que seriam locais do Enem. O governo descartou, neste primeiro momento, publicar as médias de cada exame separadamente.

Embora tenha apresentado queda em relação ao ano anterior, a área com melhor desempenho geral dos participantes que estavam concluindo o ensino médio em 2016 foi Ciências Humanas, com média de 536 pontos, quase 20 pontos a menos do que em 2015 (556,9 pontos). Nas outras três áreas, as notas aumentaram ligeiramente. Segundo o órgão, entre todos os participantes do exame, 291.806 candidatos tiraram zero ou tiveram a redação anulada. A maioria deles, cerca de 206 mil, não compareceu no segundo dia de Enem, quando é aplicada a redação, ou entregaram essa prova em branco. Não foi divulgada a média geral da prova escrita.

Na redação, a maior parte dos candidatos, cerca de 1,9 milhão, ficou com média entre 501 e 600. Somente 77 dos mais de 6,2 milhões de participantes do Enem conseguiram nota máxima nessa prova. Em 2015, 104 alunos obtiveram a nota 1.000. A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, minimizou a queda no número de redações com pontuação máxima.

— Tivemos três temas em três edições (primeira e segunda aplicação e exame para pessoas privadas de liberdade). Como há populações diferentes todos os anos fazendo o Enem, a comparabilidade tem que ser bastante cuidadosa — argumentou Fini.

Segundo o coordenador de vestibular do Colégio Qi, Renato Pellizzari, a variação das notas de um ano para outro pode ser, pelo menos em parte, explicada pelo grau de dificuldade do exame de 2015. Segundo ele, as provas de uma edição influenciam bastante a preparação dos candidatos no ano seguinte.

— Uma edição do Enem determina a postura dos candidatos no ano seguinte. Em 2015, as provas de Ciências da Natureza e Matemática foram dificílimas, então os alunos podem ter se dedicado a estudar mais essas áreas para a edição de 2016. E, como a prova de Humanas, em 2015, foi muito tranquila, os estudantes aliviaram no estudo, aí veio um exame mais difícil em 2016 e a média caiu — explica Pellizzari.

O professor criticou ainda a decisão do MEC de não divulgar as notas das duas aplicações discriminadamente:

— O mais transparente seria divulgar separadamente, mesmo que haja complicações. É impossível que haja a mesma média nas duas aplicações. E qualquer discrepância levaria muitos candidatos a se sentir prejudicados — diz ele.

As médias podem ser consultadas na página Inep.gov.br. Com as notas do exame, os candidatos poderão disputar vagas nas 131 instituições de ensino superior que integram o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). No primeiro semestre deste ano, serão oferecidas 238 mil vagas. O sistema será aberto no dia 24 de janeiro. As notas também podem ser usadas para inscrição no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e no Programa Universidade Para Todos (Prouni).

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