Início Educação Crianças terão que ser alfabetizadas mais cedo, segundo base curricular
Educação

Crianças terão que ser alfabetizadas mais cedo, segundo base curricular

Envie
Crianças terão que ser alfabetizadas mais cedo, segundo base curricular
Crianças terão que ser alfabetizadas mais cedo, segundo base curricular
Envie

RIO — A versão final da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino infantil e fundamental, apresentada nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (MEC), determina pelo menos sete mudanças importantes em relação aos textos anteriores. Uma delas é que toda criança deve estar plenamente alfabetizada até o fim do segundo ano — na versão anterior da Base, o prazo era até o terceiro ano. O ensino religioso também foi excluído do texto, e o conceito de gênero não é trabalhado nesta nova versão. A língua inglesa passa a ser o idioma estrangeiro obrigatório das escolas — antes, cada colégio poderia optar pela língua que achasse melhor. Além disso, o conteúdo de história passa a ser organizado segundo a cronologia dos fatos.

PRINCIPAIS PONTOS DE MUDANÇA:

- A educação básica passa a ter 10 competências gerais que todos alunos devem desenvolver na educação básica. Entre elas, "valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos", "utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica".

- Com a Base, a educação infantil passa a ter parâmetros claros para o desenvolvimento da criança, com os chamados "direitos de aprendizagem". O documento divide esses objetivos de acordo com a faixa etária da criança.

- Antes, a alfabetização deveria ser concluída até o 3º ano do ensino fundamental. A Base antecipa esse processo, estabelecendo que os alunos sejam alfabetizados até o fim do segundo ano.

- A base define a Língua Inglesa como idioma estrangeiro a ser ensinado. Anteriormente, o idioma não havia sido especificado.

PUBLICIDADE

- O ensino religioso, que compunha versão anterior do documento, foi excluído da Base

ENSINO RELIGIOSO FICA DE FORA

Sobre a exclusão de ensino religioso, o MEC alegou respeitar a lei que determina que assuntos relacionados a religião sejam optativos e que é competência dos sistemas de ensino estadual e municipal definir essa regulamentação. Quanto ao conteúdo de gênero, o ministério defende "respeito à pluralidade", mas diz que evitará entrar em detalhes.

Outra mudança de destaque é que o texto aponta dez competências que os alunos devem desenvolver ao longo desta fase da educação (veja lista abaixo). Uma delas é "utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética".

— As competências do século XXI dizem respeito à formação de cidadãos mais críticos — disse a secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. — São competências que se contrapõem ao ensino erudito do passado, baseado na decoreba.

De acordo com a nova versão da BNCC, a educação infantil ganha parâmetros de quais são os "direitos de aprendizagem e desenvolvimento" para bebês e crianças com menos de 6 anos de idade.

Esta é a terceira e última versão do documento e segue, agora, para apreciação do Conselho Nacional de Educação (CNE), que deve realizar cinco audiências públicas ainda este ano.

A previsão do MEC é que a nova Base, que definirá cerca de 60% do conteúdo a ser ensinado na educação infantil e no ensino fundamental, chegue aos livros didáticos e às salas de aula de escolas públicas e particulares em 2019. Os outros 40% do conteúdo ficam a cargo das redes municipal e estadual e das escolas, individualmente.

— A base será obrigatória após sua homologação — disse Maria Helena. — Para isso, nós precisamos estabelecer um diálogo intenso com professores, escolas e sociedade, para que o processo seguinte, de adaptação dos currículos, seja realizado com cuidado e cautela. Na educação tudo é de médio e longo prazo.

Siga-nos no

Google News