O investimento feito pela Vulcabras, dona da Olympikus, na ampliação das fábricas e na contratação de pessoal deixa a companhia preparada para sustentar o crescimento previsto nos próximos dois anos. O fim dos ajustes agora abre espaço para a fabricante brasileira avançar num esforço de mais longo prazo, de aumentar o tamanho do negócio, por meio de fusões e aquisições. As conversas para busca de um novo parceiro devem ser retomadas neste ano, segundo Pedro Bartelle, CEO da companhia.
"A Vulcabras está muito redondinha, está madura. A empresa pode mais e quer mais. Não estamos em negociação com ninguém, mas temos um bom mapeamento e acredito que as conversas vão voltar a acontecer ao longo deste ano", afirmou Bartelle.
Além da marca própria Olympikus, a companhia representa no Brasil a japonesa Mizuno e a americana Under Armour, num modelo feito por meio de aquisições dos negócios locais. O formato da parceria é de contratos de longo prazo e com possibilidade de desenvolvimento e fabricação de modelos criados para atender melhor o mercado nacional.
"Qualquer marca esportiva que estiver hoje no Brasil, se tiver dentro da Vulcabras, pode performar melhor, porque a Vulcabras tem todos os recursos necessários da verticalização para atuar bem com as marcas", afirma o executivo. "Quando pegamos a Mizuno, dobramos ela de tamanho em dois anos."
Investimentos
Não é de hoje que a Vulcabras sinaliza a intenção de buscar mais parceiros. O movimento acabou interrompido por questões internas - os reforços para o crescimento, e a conjuntura, leia-se, principalmente, os juros altos no Brasil.
A companhia vem acompanhando os movimentos ocorridos pelo mundo no setor nos últimos meses. No começo deste ano, o grupo chinês Anta Sports comprou uma participação de 29% na Puma, por quase US$ 2 bilhões. Nos EUA, a Skechers, uma das maiores marcas de calçados do mundo, foi vendida, em meados de 2025, para o 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, por quase US$ 10 bilhões.
Ao longo de 2025, com o avanço das vendas, a fabricante brasileira precisou reforçar o parque produtivo. Ampliou em 19,2% os investimentos, para R$ 242,5 milhões, e contratou mais 4 mil funcionários para lidar com o crescimento orgânico do negócio.
O processo está praticamente encerrado e, neste ano, a visão é de que o momento é de rentabilizar os investimentos realizados.
A companhia fechou 2025 com resultados recordes e já tem uma carteira de pedidos que indica mais um ano forte para os negócios. É nesse contexto que a empresa pretende retomar as conversas com um novo parceiro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

