BUENOS AIRES - O vinho argentino não será incluído no abrangente projeto de reforma tributária que o governo do presidente Mauricio Macri enviará em breve ao Parlamento. Após intensa pressão das províncias produtoras de vinho, sobretudo Mendoza, o chefe de Estado decidiu recuar em sua decisão de taxar em 10% um dos produtos mais emblemáticos da Argentina no mundo. Segundo confirmou o governador de Mendoza, Alfredo Cornejo, após encontro com Macri, “o imposto sobre o vinho não irá ao Congresso, ficará em zero”.
O benefício também incluirá espumantes, outro dos produtos que, num primeiro momento, foram incluídos pelo ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, no projeto de reforma tributária.
De acordo com o jornal “La Nación”, a informação dada pelo governador foi confirmada por fontes da equipe de Dujovne. A estratégia das províncias produtoras de vinho foi mostrar à Casa Rosada que a bebida deve ser considerada “saudável” e, portanto, excluída da reforma.
Quando apresentou o projeto, semana passada, Dujovne assegurou que o governo Macri seguiria critérios da Organização Mundial da Saúde (OMC) e iria propor ao Congresso elevar os tributos de bebidas que, de acordo com a OMC, fazem mal à saúde, entre elas refrigerantes, whisky, conhaque, vinho e espumantes. Mas a campanha dos produtores de vinho foi tão forte que o governo terminou recuando.
- Conversamos com todo o setor e expressamos nossos fundamentos - declarou o governador de Mendoza.
Cornejo, junto com o governador de San Juan, Sergio Uñac, defendeu a tese de que o vinho proporciona bem estar e tem efeitos positivos para a saúde. Em reuniões com autoridades do governo nacional foram apresentadas pesquisas científicas sobre o assunto.
Nesta quinta-feira, pouco depois de retornar de uma viagem a Nova York, o chefe de Estado argentino reuniu-se com os governadores de todo o país para discutir não somente a reforma tributária, mas toda a estratégia financeira do governo e negociar acordos que permitam à Casa Rosada continuar reduzindo o déficit fiscal, uma das principais prioridades para a segunda metade do mandato de Macri.
Ainda não foram alcançados os consensos necessários, mas o governo está confiante e espera que a reforma tributária seja aprovada ainda este ano. As conversas com os governadores serão retomadas semana que vem.

