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Uruguai precisa confirmar favoritismo em grupo na Copa, mas já brilha na economia

BUENOS AIRES - O Uruguai enfrenta nesta sexta-feira o Egito e vai buscar confirmar seu favoritismo no Grupo A na Copa do Mundo. No campo econômico, o país já tem sido destaque nos últimos anos. Enquanto Brasil e Argentina atravessam lento processo de recuperação, o Uruguai completa 15 anos seguidos de crescimento da economia, chamando cada vez mais a atenção de investidores estrangeiros. O sucesso do país é atribuído sobretudo à estabilidade econômica e política mantida desde 2003. Em 2017, o país cresceu 2,7% e, este ano, as projeções estão em torno de 3%.

No entanto, analistas lembram que o país ainda tem importantes desafios pela frente, como reduzir o elevado déficit fiscal (3% do PIB), a taxa de desemprego (cerca de 8%) e o endividamento externo (a dívida pública alcança 65% do PIB.

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Em abril, o Ministério de Economia e Finanças comemorou a emissão de US$ 1,75 bilhão num bônus com vencimento em 2055 e juros anuais de 5%. A operação foi considerada um sucesso pelo mercado, já que a demanda chegou a US$ 6,7 bilhões.

— Temos uma ótima imagem no exterior, entre outras razões, porque mantivemos nosso grau de investimento (chancela concedida por agências de classificação de risco que o Brasil perdeu) — diz a economista uruguaia Matilde Morales, da empresa de consultoria internacional PwC.

Para a analista, contribuíram à boa fase a abertura comercial promovida pelo Uruguai nos últimos anos — que inclui um acordo com o México —, o crescimento da produção e exportação de softwares e o fortalecimento do sistema financeiro após a crise de 2002, quando sofreu um claro efeito contágio da Argentina.

— Naquele momento, 40% dos depósitos eram de não residentes, a maioria argentinos. Hoje, apenas 10% dos depósitos são de pessoas que não vivem no Uruguai, e a regulação mudou muito — explica Matilde, destacando a atratividade do país para investimentos estrangeiros. — No Uruguai existem facilidades para repatriar lucros e um sistema de zonas francas muito atraente.

Em relatórios internos, a PwC ressalta outras vantagens do país hoje para negócios: recursos humanos de qualidade decorrentes de bons investimentos em educação, infraestrutura e acesso à tecnologia, além de ausência de conflitos, boa imagem internacional e abertura ao mundo. A PwC destaca ainda a “estabilidade econômica e de regras de jogo”. A consultoria lembra que o Uruguai assinou tratados para promover investimentos com mais de 40 países, entre eles EUA, Canadá, México, Itália, França, Alemanha, China e Austrália.

Em reportagem recente, a “Economist” menciona o aumento de 73% dos gastos estatais em ciência e tecnologia, entre 2007 e 2015, e o crescimento de 39% para 71% da classe média uruguaia, entre 2003 e 2015.

Na visão do economista Carlos Steneri, que escreveu artigo sobre a reportagem no jornal “El Pais”, a expansão da classe média é fruto do aumento expressivo do Estado nos governos da esquerdista Frente Ampla, no poder desde 2005, e do endividamento. “Nosso crescimento está comprometido porque os investimentos estão caindo”, disse.

Matilde concorda e lembra que os investimentos privados estão em queda há quatro anos, alcançando hoje 14% do PIB, o mesmo nível de oito anos atrás. Mas há boas expectativas para o futuro não muito distante, comentou a economista Gabriela Mordecki, do Instituto de Conjuntura da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade da República:

— O governo está negociando a construção de uma nova fábrica de celulose da empresa finlandesa UPM (que já tem uma unidade funcionando em Fray Bentos, na fronteira com a Argentina), que representaria um investimento de US$ 2 bilhões, o que é muito dinheiro para o Uruguai.

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