Por Ariane Luthi
ZURIQUE, 29 Jul (Reuters) - O UBS registrou nesta quarta-feira um aumento de 17% no lucro do segundo trimestre, superando as expectativas, e informou que planeja recomprar ações no valor de US$3 bilhões até meados do próximo ano, no máximo.
O maior banco da Suíça, que aguarda esclarecimentos sobre novas regras de capital que podem definir seu futuro, afirmou ter registrado um crescimento robusto e generalizado, especialmente na área de gestão de patrimônio e em seu banco de investimentos. Sua divisão de operações financeiras apresentou receita recorde no segundo trimestre, em linha com os sólidos resultados tanto de Wall Street quanto de seus concorrentes europeus.
O lucro líquido atribuível aos acionistas ficou em US$2,8 bilhões, contra uma previsão de US$2,39 bilhões em uma pesquisa com analistas divulgada pela empresa.
O UBS, que adquiriu o rival Credit Suisse após seu colapso em 2023, alcançou um retorno sobre o capital comum de Nível 1 (CET1) de cerca de 17% no primeiro semestre — acima de sua meta de 15% para o final do ano.
“Embora o ano ainda não tenha terminado, estamos próximos de atingir o mesmo nível de lucratividade que o UBS tinha antes da aquisição, o que ressalta nossos esforços nos últimos três anos”, disse o diretor-executivo Sergio Ermotti em uma teleconferência com analistas.
Analistas descreveram os resultados e a recompra de ações como encorajadores e bem-vindos, e as ações do UBS subiram 2,5% nas negociações da manhã.
No entanto, alguns analistas também observaram que as ações tiveram uma alta de 28% nos últimos três meses.
“Avaliamos positivamente o desempenho do banco, mas consideramos que o preço atual das ações está justo”, afirmou o Zuercher Kantonalbank em relatório aos clientes antes da abertura do mercado.
Para o trimestre atual, o banco disse que espera que as condições de mercado permaneçam amplamente favoráveis, embora a incerteza continue alta.
O UBS informou que os novos ativos líquidos de sua divisão global de gestão de patrimônio totalizaram US$36 bilhões durante o trimestre, impulsionados por entradas de US$14,3 bilhões na Suíça.
O UBS também destacou que está investindo em inteligência artificial para posicionar o banco para o futuro, afirmando que deu início a nove iniciativas em grande escala.
O novo programa de recompra de ações do UBS, no valor de US$3 bilhões, segue-se a outro de mesmo valor concluído em julho, com o banco afirmando que pretende recomprar pelo menos US$1 bilhão nos próximos três meses.
O UBS reiterou que o valor e o ritmo das recompras dependerão de seu desempenho financeiro de curto prazo e do desfecho das regras bancárias suíças que estão sendo debatidas em resposta à aquisição do Credit Suisse.
Preocupado com os riscos para a economia suíça caso o UBS entre em colapso, o governo da Suíça tem buscado obrigar o banco a manter cerca de US$20 bilhões em capital adicional de Nível 1 (Common Equity Tier 1) — uma medida que, segundo o UBS, prejudicaria sua competitividade.
Espera-se que os parlamentares amenizem essa exigência ao começarem a elaborar o projeto de lei no próximo mês, já que muitos temem que exigir uma reserva permanente dessa magnitude possa afugentar os investidores do UBS.
O UBS informou que a integração do Credit Suisse está a caminho de ser concluída até o final de 2026. O banco obteve uma economia bruta adicional de US$1,1 bilhão no segundo trimestre, elevando a economia bruta acumulada para US$12,6 bilhões.
O banco continuou a reduzir de forma constante o quadro de funcionários, cortando 2.500 empregos em tempo integral no trimestre, o que levou a força de trabalho interna do banco a ficar abaixo de 100 mil pela primeira vez desde a aquisição.
(Reportagem de Ariane Luthi)




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