A construtora Tenda, uma das maiores do Minha Casa Minha Vida (MCMV), quer aproveitar o momento positivo do programa habitacional para 'crescer o máximo possível' neste ano, afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Luiz Mauricio de Garcia. Nos primeiros dois meses deste ano, a empresa já registrou recorde de vendas brutas, que totalizaram R$ 1 bilhão, um avanço de 27% em relação ao mesmo período do ano passado - fruto das condições favoráveis de contratação dentro do MCMV.
"O cenário para o setor no Minha Casa Minha Vida está muito bom. Vamos tentar, mais uma vez, lançar mais que o previsto. A meta é seguir crescendo o máximo possível", disse Garcia, em entrevista ao Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
O grupo lançou 52 empreendimentos em 2025, avaliados em R$ 5,3 bilhões. O preço médio por unidade foi de R$ 229,2 mil, alta de 6% na comparação anual. As vendas líquidas em 2025 atingiram R$ 4,7 bilhões, avanço de 4,8%.
O foco de crescimento será a Divisão Tenda (baseada em empreendimentos em concreto). A marca tem diversificado sua atuação entre as faixas 1, 2 e 3 do MCMV. No passado, era focada nas faixas 1 e 2, para o público de menor renda. Já nos últimos meses, vêm lançando projetos com varanda, piscina e metragem maior, pensando também no público da faixa 3.
"A ideia é termos flexibilidade para atuar nas faixas mais favoráveis, onde tem mais demanda", explicou Garcia.
Ao longo do ano, a faixa 1 e 2 devem responder por 40% dos lançamentos, cada, e a 3, 20%.
A Tenda não pretende atuar de modo significativo na faixa 4, que abrange imóveis de valor mais alto, para consumidores de maior renda. Segundo Garcia, isso exigiria mudar o método de construção e o modelo dos apartamentos, que são padronizados. "Não queremos abrir mão da nossa metodologia".
Com a perspectiva de novos ajustes nas faixas de renda e teto de preços sinalizada pelo governo, a Tenda espera um aumento relevante no poder aquisitivo dos consumidores. Com isso, espera essa flexibilidade para lançar e vender mais. Segundo Garcia, subir preço não é prioridade.
Já para a Divisão Alea (baseada em estruturas pré-moldadas de madeira), a prioridade será estabilizar as operações e voltar a gerar caixa. A Alea cresceu demais e teve estouros de orçamentos no ano passado, o que levou a uma reorganização do negócio, com redução relevante de novos projetos. No pico, ela chegou a ter 33 canteiros abertos na metade de 2025. Esse número hoje está em 23 e deve ir para 16 até o fim do ano.
Garcia não descarta notícias de novos estouros de custos em Alea, mas pondera que esse risco é baixo. Além disso, já há provisões para esse tipo de eventualidades.

