SÃO PAULO - Em uma nova entrevista para defender a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer tentou na noite desta sexta-feira desfazer a impressão de que "lavou as mãos" sobre a busca de votos para a aprovação das regras da aposentadoria no Congresso. Ao jornal "Rede TV News", da Rede TV, Temer afirmou que ainda continua trabalhando pela reforma.
— Eu nem peguei a toalha ainda. Imagine se vou jogá-la. Estou aqui falando da Previdência. A única coisa que estamos dizendo é que não podemos continuar neste tema o ano todo — disse.
Na quinta-feira, Temer afirmou ao "Estadão/Broadcast" que já havia feito a sua parte nas reformas e na Previdência.
— Eu já fiz a minha parte nas reformas e na Previdência. Agora é preciso convencer o povo, porque o Congresso sempre ecoa a vontade popular — afirmou ele ao "Estadão".
O presidente vem fazendo uma maratona de entrevistas na televisão para conseguir apoio popular para as mudanças na aposentadoria e, assim, diminuir a resistência de deputados em votar favorável ao projeto. Ele já esteve no programa dos apresentadores Silvio Santos, Ratinho e Amaury Jr. O governo também está investindo em publicidade para esclarecer detalhes da reforma.
Temer disse nesta sexta-feira que o governo tem assegurados até agora 271 votos a favor do projeto. O mínimo necessário são 308. Ele também afirmou que ainda trabalha com a previsão de colocar o texto para ser votado, em primeiro turno, ainda em fevereiro. Mas evitou se comprometer se colocaria o assunto em pauta, mesmo sem ter os votos suficientes.
— Isso vamos verificar até o dia da votação.
O presidente comentou ainda o seu alto índice de impopularidade e minimizou os números de sua reprovação popular.
— O fato da impopularidade, até pessoal, é curioso. Toda vez que há alguma coisa qualquer contra a figura do presidente da República você não encontra um cidadão na rua dizendo que precisa tirar o governo. Talvez não tenha chegado a todos os setores tudo que o governo está fazendo.

