"O governo parou de fazer as contas", diz um experiente técnico da Fazenda, com larga experiência de anos na execução orçamentária. Para outro técnico, o governo trabalha agora com elevado grau de amadorismo. O resultado dessa ineficiência administrativa, na maioria dos casos, são "surpresas" que se tornam explicações para os resultados ruins das contas públicas, como os obtidos em setembro.
Mas o descontrole também é fruto de maquiagens que são feitas nas projeções para ajustar o contingenciamento dos gastos, que tradicionalmente é anunciado no início do ano, à meta fiscal prevista.
É o caso, por exemplo, da estimativa de despesas com abono e seguro-desemprego. No primeiro relatório de reprogramação orçamentária ele estava em R$ 40,3 bilhões, passou em setembro para R$ 41,8 bilhões e na semana passada foi alçada à condição de grande vilã do déficit público, com previsão dada pelo próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, de um custo de R$ 47 bilhões.
À medida que o ano vai terminando, fica mais difícil esconder esses malabarismos feitos com as projeções e os problemas vão ficando mais evidentes. Outro exemplo: o rombo das contas da previdência até setembro, de R$ 47,61 bilhões, já é bem maior do que a projeção divulgada no relatório orçamentário divulgado no mesmo mês pelo governo de um déficit de R$ 36,2 bilhões em 2013. Mesmo que haja alguma recuperação sazonal das contas do INSS, dificilmente a projeção do governo será atingida.



