A perspectiva de que o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã chegue ao fim em um prazo próximo, mesmo sem novidades relevantes sobre um possível desfecho, seguiu ditando a movimentação dos juros futuros no pregão desta quarta-feira, 1. As taxas permaneceram em queda moderada ao longo do dia, na ausência de gatilhos adicionais vindos do cenário externo para dar novo impulso ao otimismo dos agentes.
Depois de o presidente Donald Trump ter afirmado na noite de terça que os EUA podem fechar um acordo com o regime iraniano dentro de "duas ou três semanas", o petróleo chegou a ser negociado a menos de US$ 100 na sessão. No fechamento, o barril do Brent para junho recuou 2,7%, a US$ 101,16%. O mercado aguarda pronunciamento de Trump sobre o conflito, previsto para as 22h desta quarta-feira, 1. De acordo com a Bloomberg, o republicano deve reiterar o cronograma de menos de um mês para que as forças americanas encerrem a guerra.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,069% no ajuste anterior para 14,035%. O DI para janeiro de 2029 caiu a 13,675%, vindo de 13,72% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,837% no ajuste de terça-feira para 13,815%.
Economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta aponta que os ativos domésticos continuam sendo pautados pela condição externa, e que um cenário positivo, que considera que a guerra terminará em breve, ainda foi a narrativa dominante na sessão desta quarta, mas com uma certa acomodação em relação a terça.
As sinalizações de Trump até então estavam sendo vistas com ceticismo porque eram refutadas em seguida pelo Irã, mas houve uma mudança nas últimas 24 horas, o que se refletiu positivamente nos preços dos ativos, diz Argenta. "Houve conversas informais entre os dois países a entrada de outras nações neste tabuleiro. Então, apesar da intensificação do conflito no curto prazo, conversas diplomáticas retomam a ideia no mercado de resolução dentro de um horizonte não tão longo", comentou.
Com a expectativa de que o conflito termine em pouco tempo, o foco voltou a recair sobre o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do petróleo mundial. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse nesta tarde que o futuro da rota estratégica será definido por Irã e Omã, uma vez que a via marítima está "nas águas internas dos dois países".
Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, apelaram à ONU para que a organização autorize uma série de medidas, incluindo o uso da força, para desbloquear o estreito, enquanto os países do Golfo Pérsico pressionam o Irã para restabelecer a livre passagem ao longo do corredor.
Em relatório divulgado nesta quarta, o Goldman Sachs prevê que o fluxo de óleo pelo estreito continuará baixo por seis semanas, "embora a incerteza em torno da duração do conflito e da interrupção associada ao fornecimento de energia permaneça alta, em meio a oscilações contínuas entre manchetes de desescalada e escalada".
Mesmo que haja uma rápida desobstrução do estreito e queda maior nas cotações do petróleo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central terá em mãos dados "muito ruins" para tomar sua decisão de juros na reunião de abril, diz Argenta, da CM. "O choque não é mais um do tipo que deve ser expurgado rapidamente na economia. Ele deixa ali algum impacto que pode reverberar de forma mais intensa na política monetária", avalia.
Segundo cálculos de Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, a Selic precificada pela curva futura ao fim de 2026 estava em 13,79% no final desta tarde, praticamente igual ao fechamento de terça (13,81%). Vale lembrar que, antes da eclosão da guerra, o mercado apostava em uma redução total de cerca de 3 pontos porcentuais da taxa no ano.


