BRASÍLIA - A Superintendência-Geral (SG) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a reprovação da compra da Votorantim Siderurgia pela concorrente ArcelorMittal Brasil. O parecer aponta que a operação causaria problemas concorrenciais nos mercados de aços longos comuns, de corte e dobra de vergalhões e de compra de sucata. A recomendação ainda terá que ser analisada pelo tribunal do Cade, responsável por bater o martelo sobre a aquisição.
Para a Superintendência, a operação provocaria a fusão entre duas das três principais fornecedoras de açõs longos comuns do país. Votorantim, ArcelorMittal e Gerdau são responsáveis por mais de 80% da oferta de mercado. “Ao longo da instrução, a SG verificou que a rivalidade exercida nos mercados em que há outros ofertantes — como CSN, Silat, Sinobrás e Simec — não é suficiente para afastar preocupações concorrenciais, dado que tais concorrentes não possuem capacidade efetiva para contestar o elevado poder de mercado detido por ArcelorMittal e Votorantim”, aponta o Cade, em nota.
O documento aponta ainda que, a diminuição da demanda por aço em consequência da crise econômica faz com que as empresas elevem sua capacidade ocioso e torna improvável a entrada de novos concorrentes no mercado. E aponta que a fusão das duas empresas aumenta a probabilidade de práticas coordenadas entre as empresas, como cartel. De acordo com o parecer, um possível pacote de desinvestimentos que pudesse viabilizar a compra “seria de difícil desenho, com resultados incertos em termos de efetividade”.
“Desse modo, a Superintendência-Geral concluiu que a operação pode resultar em elevação de preços de aços longos decorrente de um aumento do poder de mercado da ArcelorMittal e da elevação da possibilidade de atuação coordenada das grandes empresas do setor. O parecer do Departamento de Estudos Econômicos - DEE do CADE também levantou preocupações semelhantes”, diz a nota.



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