O dólar encerrou a semana em forte alta, com valorização superior a 2%, atingindo R$ 5,4328. A disparada da moeda americana inverteu o sentimento positivo que predominava no mercado e levou o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a operar em queda intensa no final do pregão. Embora o dia contasse com a divulgação de importantes dados de inflação nos Estados Unidos, a política doméstica em Brasília tomou o centro das atenções dos investidores e ditou o ritmo de aversão ao risco.
A principal fonte de volatilidade nos mercados foi a especulação política sobre as eleições de 2026. A sinalização de que o senador Flávio Bolsonaro pode vir a ser o candidato à Presidência no lugar do ex-presidente Jair Bolsonaro gerou uma reação imediata. Essa possibilidade frustrou as expectativas de investidores que apostavam em uma chapa mais coesa e competitiva para a direita, como a formada por Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.
No cenário econômico brasileiro, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, divulgado recentemente, mostrou um crescimento marginal de apenas 0,1%. O resultado aquém do esperado reflete uma clara desaceleração em setores-chave, como o de serviços e o consumo das famílias. Essa perda de fôlego da economia reforçou a avaliação do mercado de que o Banco Central (BC) pode ter espaço para intensificar ou, no mínimo, iniciar seu ciclo de corte de juros já no próximo mês, buscando estimular a atividade.
Em contraste, os dados de inflação nos Estados Unidos vieram em linha com o esperado e trouxeram algum alívio. O índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal (PCE), métrica preferida do Federal Reserve (Fed), subiu 0,3% em setembro, mantendo o ritmo. O núcleo do PCE, que exclui componentes voláteis, também avançou moderadamente. O resultado consistente com as projeções reforçou a aposta de que o banco central americano poderá, em breve, iniciar seu próprio ciclo de redução das taxas de juros, o que tende a ser benéfico para o apetite por risco global.

