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Setor de transporte rodoviário enfrenta queda na demanda antes mesmo do tarifaço, diz sindicato

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A quase certa aplicação da sobretaxa de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos a partir do dia 1º de agosto já provoca efeitos sobre o setor de transporte rodoviário de cargas -responsável por levar os produtos até os portos e aeroportos para serem exportados. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), a tensão entre entre Brasil e Estados Unidos após o anúncio de Donald Trump compromete rotas internacionais consolidadas, reduz o volume de mercadorias transportadas e pressiona os custos logísticos, colocando milhares de empregos em risco.

Segundo o sindicato, o enfraquecimento das relações comerciais com os Estados Unidos -um dos principais destinos das exportações brasileiras- tem se traduzido em redução na demanda por serviços logísticos voltados ao comércio exterior e aumento dos custos operacionais com redirecionamento de rotas. Embora ainda não existam números consolidados sobre a queda no volume de cargas, o Setcesp afirma estar monitorando o cenário junto às empresas associadas.

"Como os efeitos começaram a se intensificar recentemente, os indicadores mais precisos deverão surgir nas próximas semanas. O que podemos afirmar com segurança é que há uma queda perceptível na demanda", afirma o presidente do conselho superior e de administração do Setcesp, Marcelo Rodrigues.

"Transportadoras trabalham por contrato, e o que boa parte das que lidam com o segmento de transporte internacional e aduaneiro reporta é que o clima de instabilidade tem gerado a suspensão temporária desses contratos. Embora ainda não haja sanções formais impostas, a insegurança jurídica e política já compromete a previsibilidade necessária para a manutenção das operações", afirma Rodrigues.

Além da retração, há impactos sobre o mercado de trabalho. O sindicato afirma ter relatos de empresas que planejam férias coletivas, redução de jornada e até suspensão temporária de atividades -especialmente entre transportadoras ligadas à logística portuária e aeroportuária.

O setor responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no país e emprega quase 1 milhão de pessoas formalmente. Apenas no estado de São Paulo, são mais de 450 mil trabalhadores diretamente ligados à atividade.

"Por razões de sigilo associativo, não podemos divulgar nomes neste momento, mas os relatos vêm aumentando", diz Rodrigues.

O sindicalista também manifesta preocupação com possíveis impactos indiretos no abastecimento do país, caso o impasse se prolongue.

"O risco existe, especialmente em setores que dependem de matérias-primas importadas ou componentes tecnológicos. Pode haver impacto progressivo na indústria, no agronegócio e no comércio, afetando toda a cadeia de suprimentos", diz Rodrigues.

Em nota divulgada no domingo (20), a entidade expressa "profunda preocupação com os efeitos da atual crise institucional e política entre Brasil e Estados Unidos" e pede uma ação "urgente, inteligente e humilde" por parte do governo federal para restabelecer o diálogo e evitar o colapso da cadeia logística.

Se não houver negociação até a próxima semana, produtos importados pelos EUA do Brasil sobretaxados atualmente em 10% terão essa alíquota substituída pela de 50% a partir de 1º de agosto. É o caso de café, frutas e carne bovina, por exemplo.

Ficam de fora somente produtos que já sofrem tarifas setoriais, como aço e alumínio, sobre os quais há tarifas de 50%.

Nesta segunda-feira (21), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a pasta está trabalhando com diversos cenários para enfrentar o tarifaço, incluindo um plano de contingência.

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