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Serviços do Brasil têm queda inesperada em dezembro, mas crescem no ano pela 5ª vez seguida

Por Reuters

12/02/2026 9h22 — em
Economia



Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 12 Fev (Reuters) - Os serviços no Brasil registraram queda inesperada no volume em dezembro, marcando uma perda de dinamismo, embora tenha crescido pelo quinto ano seguido.

Em dezembro, o volume de serviços recuou 0,4% na comparação com novembro na série com ajuste sazonal, depois de nove resultados mensais positivos e um de estabilidade, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda assim, o setor terminou 2025 com crescimento de 0,8% no quarto trimestre frente ao terceiro trimestre e com alta acumulada de 2,8% no ano, quinto ano seguido com resultado positivo. Ambas as medidas, entretanto, apontaram desaceleração após altas de 1,0% no terceiro trimestre e de 3,1% em 2024.

Entre 2021 e 2025, o setor registrou ganho acumulado de 31,0%, depois de retração de 7,8% em 2020 devido à pandemia, de acordo com os dados do IBGE.

Apesar de chegar ao fim do ano com desempenho mensal negativo, ao longo de 2025 o setor mostrou resiliência, com o desemprego baixo e aumento da renda compensando os efeitos da taxa de juros elevada e contribuindo para o crescimento da economia.

Isso trouxe preocupações para o Banco Central principalmente devido à inflação do setor. No mês passado, o BC manteve a taxa básica Selic em 15%, mas indicou o início de um ciclo de cortes em março.

Em relação a dezembro do ano anterior, o volume de serviços apresentou alta de 3,4%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de ganhos de 0,1% na base mensal e de 3,5% na comparação anual.

"Além de a queda generalizada do indicador reforçar a tendência de fechamento do hiato do produto ... foi possível observar também um recuo de 0,7% na receita nominal dos serviços, magnitude superior até mesmo à queda do volume de serviços prestados, o que indica que a descompressão no volume foi acompanhada pelo alívio nos preços, sugerindo trajetória mais positiva para a inflação prospectiva de serviços", avaliou Matheus Pizzani, economista do PicPay.

TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO

Em dezembro, três das cinco atividades tiveram retração no volume de serviços frente ao mês anterior, com destaque para a queda de 3,1% de transportes.

Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE, destacou que houve "taxas negativas em todos os modais (de transportes) investigados: terrestre (-1,7%); aquaviário (-1,4%); aéreo (-5,5%); e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio (-4,9%)."

Além disso, houve recuos de 3,9% no transporte de passageiros e de 1,6% no transporte de cargas em dezembro na comparação com novembro.

"As perdas no fim do ano têm a ver com fim do escoamento da safra, fim do plantio, e os segundos semestres são menos intensos do que os primeiros para colheita da safra. O menor escoamento se reflete no transporte de cargas", disse Lobo.

Já em 2025 o destaque foi a alta de 5,5% do ramo de informação e comunicação, impulsionado, em grande parte, pelo aumento das receitas das empresas que atuam nos segmentos de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet; desenvolvimento e licenciamento de softwares e outros.

O índice de atividades turísticas, por sua vez, apresentou expansão de 0,2% em dezembro frente ao mês anterior, acumulando em 2025 ganho de 4,6%.


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