SÃO PAULO - A greve geral em protesto às reformas trabalhistas e da Previdência propostas pelo governo Michel Temer teve adesão de trabalhadores de várias categorias em São Paulo nesta sexta-feira. Com os serviços de transportes parados desde o início da manhã, muitas pessoas não conseguram sair de casa. Segundo a Polícia Militar, não houve registros significativos de piquetes ou bloqueios em pontos de trabalho. O trânsito ficou abaixo do esperado para a manhã, embora tenham ocorrido atos em avenidas e rodovias espalhadas pela cidade.
No centro da cidade e na Avenida Paulista, o comércio e a maioria dos bancos ficaram fechados. Em algumas agências até o acesso ao caixa eletrônico não era permitido e havia faixas com os dizeres “estamos em greve”. Escolas, mesmo as particulares, também não funcionaram.
Nenhuma linha de ônibus, trem ou metrô funcionou no início da manhã — apenas a Linha 4-Amarela do Metrô, que é privatizada, foi aberta a público. Linhas de trem e metrô só começaram a operar parcialmente a partir das 8h30, quando apenas algumas estações foram liberadas. Até às 11h30, o serviço não havia sido totalmente normalizado.
Governo e prefeitura prometem cobrar multa imposta pela Justiça que, nesta quinta-feira, concedeu liminar impedindo que os serviços de transporte parassem completamente.
O Aeroporto Internacional de Guarulhos operou normalmente, com número de atrasos e cancelamento dentro do esperado. O Aeroporto de Congonhas ficou aberto para pousos e decolagens. No início da manhã, oSindicato dos Aeroviários, ligado à Força Sindical, uma manifestação no saguão, alertando que os mecânicos aderiram à greve. Os voos seguem normais, de acordo com o aeroporto. O policiamento nas vias de acesso foi reforçado.
Ao longo da madrugada e início da manhã, manifestantes fizeram bloqueios com pneus e fogo nas rodovias Anchieta, Regis Bittencourt e Anhanguera, na chegada à capital, além de Cônego Domênico Rangoni, no litoral. A rodovia Hélio Schimdt, que leva motoristas da capital paulista ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, ficou bloqueada até por volta das 3h30.
Dezenas ruas de São Paulo também tiveram bloqueios rápidos no início da manhã: Avenida 23 de Maio, Avenida Nove de Julho, Marginal do Pinheiros, Viaduto Jaceguai, entre outros. Na quinta-feira, a prefeitura de São Paulo anunciou a suspensão do rodízio de veículos e a liberação de carros com carona para trafegar nos corredores de ônibus.
Os manifestantes fizeram intervenções rápidas em ruas do centro de São Paulo, ateando fogo em sacos de lixo ou pneus para parar o trânsito. Em alguns pontos, como a Avenida Ipiranga, policiais militares utilizaram bombas de gás para dispersar o ato. Perto dali, na Rua Xavier de Toledo, manifestantes quebraram orelhões e alguns vidros da fachada da Casas Bahia, que está fechada, assim como muitas lojas do centro.
Na prefeitura, um grupo pequeno de bancários protestou contra o prefeito Jõao Doria (PSDB), que tem feito oposição às paralisações e prometeu cortar o ponto dos servidores que faltassem no serviço. Em entrevista à Rádio Jovem Pan nesta sexta-feira, o prefeito chamou os grevistas de “vagabundos” e “preguiçosos”.
Na estação Itaquera, Zona Leste, um aviso colado na entrada da plataforma informa que não haverá serviço, enquanto passageiros tentam buscar alternativas para chegar ao destino. A faxineira Alda Fernandes de Souza, de 48 anos, teme perder o emprego por causa das paralisação. Ela trabalha no Centro da capital e diz que o metrô é sua única opção de transporte.
— Não consegui ainda avisar aos meus patrões que não vou conseguir chegar. Não sei o que fazer - lamenta ela, enquanto outros usuários do transporte coletivo tentam acalma-la.
O segurança Marlon Marcos Uchôa, de 42 anos, diz que vai acabar perdendo o dia de trabalho, mas considera importante o protesto.
— É para melhorar a vida da gente. Todos temos que nos unir - pondera ele, que trabalha na Vila Olímpia, na Zona Sul.
A SPTrans informou que os terminais de ônibus foram abertos, mas as empresas não colocaram ônibus para circular. Algumas vans e micro-ônibus, porém, estão rodando.

