NOVA YORK - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, admitiu neste domingo em Nova York que será muito difícil aprovar a reforma da Previdência. Por outro lado, ele acredita que a piora das contas públicas dos estados pode ser facilitar a obtenção dos votos necessários.
— Sempre fui muito realista. O governo saiu de uma base de 316 deputados no fim de 2016 para terminar, após a segunda denúncia contra o presidente Temer, com 250. É preciso recompor cerca de 70, 80 votos. A decisão do governo, depois da primeira denúncia, foi a de afastar quem não votasse a favor do presidente. Isso abriu um problema: como se faz agora para conquistar 308 votos? A reforma é urgente, precisa ser aprovada, mas para isso é preciso se reconstruir a base do governo tal como era para se ir ao plenário — disse o deputado.
Ele afirmou que é necessário envolver os governadores neste tema:
— Não vai ser fácil. Precisamos de muito diálogo e de envolver mais os governadores na questão, afinal, eles serão diretamente beneficiados. Este ano cinco estados não conseguiram pagar o décimo-terceiro do funcionalismo, este número aumentará no ano que vem se a reforma não for aprovada. E não adianta vir tentar negociar soluções para fluxo de caixa a curto prazo, temos de reestruturar as contas públicas brasileiras já.
Perguntado sobre o estranhamento que teve com o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) após o na semana passada, Maia defendeu o Parlamento:
— Não posso aceitar que o Congresso seja responsabilizado sobre esta questão. O Congresso votou matérias que todos consideravam praticamente impossíveis, como a reforma trabalhista. O governo encaminhou uma reforma tímida, com apenas cinco artigos, nós mudamos pelo menos cem artigos. Nós estamos colaborando muito com a agenda de reformas da economia brasileira, com a terceirização, com o projeto do pré-sal, com a recuperação fiscal dos Estados. Não pode parte do governo transferir para o Congresso uma responsabilidade que não é nossa. em julho a gente aprovaria a previdência, o que não é justo e não é bom para a reforma esse jogo de que não sou culpado, você não é culpado, porque todos estamos com o mesmo objetivo, que é reformar o Estado brasileiro. O que não pode é em cima disso alguns tentarem obter benefício próprio.


