SÃO PAULO. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira que se a reforma da previdência não for aprovada o país pode voltar a ter suas notas de rating rebaixadas pelas agências de classificação de risco. Segundo ele, porém, o governo não trabalha com essa hipótese, mas que o risco existe é é iminente.
— Existe sim um certo risco. Se a reforma da Previdência for derrotada, certamente haverá ai um downgrade do Brasil, uma redução da nota de crédito do Brasil. E, isso, terá consequências importantes para o custo para o investimento no Brasil e em consequência para empresas e famílias. Esperamos que não aconteça. Se não houver uma votação agora, e se tiver uma expectativa muito forte de que será aprovada logo no início do ano, ai vamos ver exatamente como será a reação das agências de risco. Mas, não há dúvida do que está claro é que a não aprovação tem um efeito de fato negativo — disse Meirelles.
Ele disse que continua no esforço para que a reforma seja aprovada ainda este ano, mas, não descartou a possibilidade do projeto ir à votação no início do próximo ano.
— Deve começar as discussões na Câmara para certamente termos uma votação na próxima semana, idealmente é importante que tenha um numero de votos suficiente. Mas, de novo, o ideal é que seja votado na semana que vem, mas se não tiver condições que seja votado no início do próximo ano. O objetivo estamos trabalhando para votar na semana que vem — disse.
O ministro minimizou o impacto das concessões que o governo está fazendo a deputados para a aprovação da reforma. Segundo ele, essas medidas não devem afetar o Teto dos gastos para os próximos anos e destacou os benefícios fiscais que a medida trará para as contas publicas.
— A reforma da Previdência tem um ganho muito significativo se olharmos dentro de uma perspectiva de 10 anos, que é o que interessa para a sustentabilidade da dívida. Então o projeto como está, tem um ganho, um benefício fiscal de R$ 600 bilhões, vai depender de qual o projeto final que será aprovado. E qualquer mudança que for feita na despesa, ela precisa estar dentro do teto — disse Meirelles, para completar: — . E quanto à receita, pode haver uma mudança sim, mas certamente é muito menor e é uma fração do que é este ganho de R$ 600 bilhões com a reforma em dez anos. O que está no cenário é a eventual diminuição desse espaço, que é substancialmente menor do que o ganho projetado.

