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Renda fixa rendeu dez vezes mais que o IPCA nos 30 anos do real

Por Folha de São Paulo

16/06/2024 11h45 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nos 30 anos do Plano Real, o CDI, índice que baliza os investimentos de renda fixa, acumulou uma rentabilidade de 7.927% e superou o a inflação do período em 11,26 vezes.

O cálculo é do professor Carlos Alberto Di Agustini, da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Nesse mesmo intervalo, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 704%.

Tamanha diferença entre os índices é fruto dos efeitos dos juros compostos, o chamado juros sobre juros, que elevam a correção de valores de uma forma exponencial. E os juros no Brasil são historicamente altos para barrar a inflação. "O Brasil tem o maior juro real de todos. É o país mais rentista da história", avalia Di Agustini.

Dessa forma, R$ 1 investido em um produto com rentabilidade equivalente a 100% do CDI em 1º de julho de 1994 teria virado R$ 80,27 hoje, aponta a Calculadora do Cidadão, do Banco Central. Considerando o IPCA deste intervalo, houve uma valorização real de 898%, calcula o matemático José Dutra Vieira Sobrinho.

De acordo com Einar Rivero, diretor da Elos Ayta Consultoria, a rentabilidade acumulada pelo CDI nos 30 anos de real também supera a valorização do Ibovespa, da poupança e do dólar em termos reais, ou seja, também considerando o IPCA.

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira rendeu 322% acima da inflação. Já a poupança velha (depósitos até 3 de maio de 2012) ganhou 132%.

Na média, calcula Rivero, o CDI teve uma rentabilidade real de 8% ao ano. O Ibovespa ganhou 5% e a poupança, 3%.

A Bolsa de Valores dos EUA tampouco supera o CDI. O S&P 500, principal índice acionário do mundo, se valorizou 1.059% de julho de 1994 a maio de 2024. Considerando a inflação, o retorno foi de 448%.

O dólar Ptax (taxa referência calculada pelo BC), por sua vez, perdeu 34% do seu valor ante o real, quando se considera a inflação. Em termos nominais, a moeda dos Estados Unidos se valorizou 428% ante o real, desde julho de 1994, menos do que o IPCA no período.

Segundo economistas, o dólar e a inflação brasileira andam lado a lado, dado que as commodities são negociadas na moeda americana.

Já o CDI tende a sempre superar o IPCA, pois o sue valor corresponde à Selic, a taxa básica de juros definida mensalmente pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).

Os diretores do BC calculam uma taxa de juros que iniba o consumo de modo a frear a inflação sem reduzir a atividade econômica.

Hoje, como a meta de inflação é 3% e o IPCA dos últimos 12 meses somou 3,9%, a expectativa é que a Selic siga no atual patamar de 10,50%. Ou seja, um juro real de mais de 6%.

Apesar de estar abaixo da média histórica de 8%, a rentabilidade real do CDI supera o ganho de 2,4% do Ibovespa nos últimos 12 meses, mas fica abaixo do salto de 10,4% do do dólar comercial no mesmo período.

De acordo com analistas, o câmbio vive um período de alta volatilidade devido ao aumento do risco fiscal. A preocupação de piora nas contas públicas brasileiras afasta investidores do país, o que desvaloriza o real.

Investimentos atrelados ao CDI

Diversos produtos de investimento têm sua rentabilidade atrelada ao CDI hoje em dia. É o caso de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCAs e LCIs (Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliário) e debêntures.

Cada um desses ativos tem o ganho equivalente a um certo percentual do CDI, como 100%, 97% ou 112%. Quanto maior o percentual, maior a rentabilidade.

O CDI é equivalente à taxa Selic, que também baliza alguns investimentos, como os títulos do Tesouro Direto.

Investimentos atrelados ao IPCA

Segundo Riveiro, como muitos produtos de investimento populares hoje não estavam disponíveis desde que o Plano Real foi lançado, a comparação entre rentabilidades é restrita.

Atualmente, os títulos ligados ao IPCA oferecem uma rentabilidade real fixa acima de 6% ao ano e são um dos investimentos mais rentáveis disponíveis.


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