Num prazo mais curto, de três meses, três em cada dez consumidores que renegociaram suas dívidas ficaram novamente inadimplentes. O trabalho foi realizado na base de dados da companhia, que reúne 350 milhões de informações comerciais sobre consumidores e empresas, a maioria de CPFs (Cadastro de Pessoa Física).
"Esse resultado é um alerta para que o inadimplente faça um acordo pautado por um planejamento que possa ser cumprido", afirma o diretor de Inovação e Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, Fernando Cosenza. Ele observa que o estudo é inédito. Portanto, não é possível traçar a evolução desse indicador de reincidência de inadimplência do consumidor.
De toda forma, na avaliação de Cosenza, dois fatores explicam esse resultado. O primeiro fator é estatístico. Isto é, com a expansão do crédito, aumentaram as possibilidades de inadimplência, tanto na primeira como na segunda vez, após renegociação das dívidas. "O número de pessoas renegociando dívidas atrasadas aumentou e o número de potenciais reincidentes também."
Planejamento
O segundo fator, que na avaliação do especialista é o principal, diz respeito a forma como são feitas as renegociações. Ele diz que, imbuído de acertar as contas atrasadas e aproveitar os descontos oferecidos pelos credores, o inadimplente acaba não fazendo as contas direito. "Falta planejamento financeiro."
Embora o estudo não tenha informações sobre o perfil do reincidente nem os motivos que o levaram a essa condição, Cosenza não acredita que o consumidor tenha sido levado a deixar de pagar as contas em dia porque voltou a consumir mais.
"Esse resultado não é preocupante", diz o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emílio Alfieri. Isso porque o calote do consumidor está em queda. Em agosto, o calote recuou para 4,8%, aponta o BC. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



