RIO - Fiscais do Ministério do Trabalho autuaram nesta sexta-feira 11 hospitais da Rede D’Or no Rio por manterem 380 fisioterapeutas trabalhando com contratos irregulares. Os profissionais haviam sido demitidos pela empresa em novembro e recontratados como autônomos. Por lei, prestadores de serviço não podem atuar como funcionários, mas a fiscalização identificou que os trabalhadores eram submetidos a relações normais de emprego, como jornada de trabalho controlada. A empresa tem dez dias para registrar os fisioterapeutas, mas já está sujeita a multa de pelo menos R$ 1,1 milhão pelo flagrante das irregularidades.
Entre as unidades fiscalizadas estão o Copa D’Or, Barra D’Or, Quinta D’Or o Hospital São Vicente, incorporado pela rede no ano passado. Em dezembro, mostrou que a empresa vinha sendo investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por violar um artigo da reforma trabalhista, que impõe uma quarentena de 18 meses entre a demissão de um empregado com carteira e sua recontratação como autônomo. Os funcionários da rede, no entanto, foram demitidos pouco antes da nova lei entrar em vigor, em uma possível manobra para evitar o enquadramento no dispositivo, na avaliação de fiscais.
Por isso, a fiscalização desta sexta-feira se concentrou em outra regra da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), anterior à reforma, que garante vínculo empregatício para funcionários sob subordinação do empregador, como constatado nos hospitais.
— A subordinação foi identificada pelo poder diretivo do empregador, à medida que os trabalhadores cumprem escalas, seguem procedimentos padronizados do setor de qualidade do hospital, além de (seguirem) a resolução nº 7 da Anvisa que determina aos hospitais a disponibilidade integral dos fisioterapeutas para os pacientes de UTI — destaca a auditora-fiscal do Trabalho Bárbara Rigo, coordenadora do Grupo de Combate à Informalidade no Rio de Janeiro.
Ao todo, a empresa sofreu 89 autos de infração. O valor da multa de R$ 1 milhão é calculado com base em um artigo da CLT que prevê multa de R$ 3 mil por trabalhador em situação irregular. A penalidade, no entanto, pode ser maior, porque a fiscalização identificou outras infrações, como falta de recolhimento de FGTS. A estimativa é que cerca de R$ 850 mil deixaram de ser recolhidos ao fundo após a demissão dos fisioterapeutas. Além disso, R$ 2,1 milhões deixaram de ser recolhidos ao INSS.
— É uma evasão fiscal que acaba acontecendo — pontua Bárbara.
Procurada, a Rede D’Or informou que recebeu a notificação do Ministério do Trabalho nesta sexta e está analisando o documento. “Cabe ressaltar que tem atuado de acordo com a legislação trabalhista”, acrescentou a empresa.

