BRASÍLIA — A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu nesta terça-feira a intensificação do combate ao trabalho escravo no país. Para a procuradora-geral, a exploração de trabalhadores em situação similares à escravidão é um mau que deve ser extirpado. Dodge se emocionou e quase foi às lágrimas ao dizer que o tema é uma das prioridades de seu mandato.
— Este é o momento de reativarmos nossa disposição de lutar contra esse mau (trabalho escravo). É um mau gravíssimo. Nesses próximos dois anos essa é uma prioridade. Não sei porque nesses momentos eu sempre me emociono — disse a procuradora-geral, com a voz embargada.
Dodge falou sobre o assunto na solenidade batizada de "Vozes da Escravidão Contemporânea, Correntes Invisíveis, Marcas Evidentes", celebração relacionada ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. O evento costuma ser realizado em 28 de janeiro. Mas este ano a solenidade foi adiada porque a procuradora-geral estava, na semana passada, na Inglaterra, também para participar de eventos sobre trabalho escravo
Balanço da Segunda Câmara Criminal da Procuradoria-Geral informa que só ano passado foram ajuizadas 70 ações penais por suspeita de exploração de trabalho escravo. No mesmo período, a polícia abriu 265 inquérito sobre o assunto. Na solenidade, três trabalhadores resgatados de situação análoga à escravidão deverão dar depoimentos sobre as agruras do trabalho escravo.
Num segundo discurso na mesma solenidade, Dodge disse que a exploração do trabalho escravo é um crime do colarinho branco.
— É um crime que exige grande investimento e dissimulação — explicou.

