SÃO PAULO - A indicação de que o governo americano vai novas tarifas para o aço e o alumínio derrubam os negócios na Bolsa brasileira nessa sexta-feira, mas a queda já é menos intensa do que a registrada no período da manhã. O Ibovespa, principal índice do mercado local, recua 0,28%, aos 85.142 pontos, devido ao desempenho das ações do setor de siderurgia, que lideram as quedas. Já o dólar comercial tem leve queda de 0,12% ante o real, a R$ 3,252.
Pela manhã, a queda chegou a ultrapassar 1%, mas o índice foi se recuperando, acompanhando o movimento das bolsas americanas. Na visão de Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, afirmou que os investidores exageraram no pessimismo com a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá impor novas tarifas de importação.
— Essa notícia pesou desde ontem e causou um desgaste mundial, já que há um temor de uma guerra comercial. Mas após esse impacto, as Bolsas nos Estados Unidos começaram a reagir e melhorando o desempenho do Ibovespa — disse.
Na quinta-feira, Trump afirmou que a partir da próxima semana irá colocar uma nova tarifa de importação sobre o alumínio (10%) e o aço (25%). Isso afetou em cheio as ações do setor e o efeito continua hoje. As ações da CSN e da Usiminas recuam, respectivamente, 5,67% e 4,57%. Mesmo a Gerdau, que pode ser beneficiada pela medida, o tombo é de 2,75%. “A notícia é positiva pra Gerdau, que possui uma operação grande nos Estados Unidos que está passando por um momento operacional complicado. Com o aumento de tarifas, o valor do aço nos Estados Unidos pode subir o que deve ajudar a melhora de margens no negócio americano da Gerdau”, avaliaram os analistas da Elite corretora.
Na avaliação da agência de classificação de risco Moody’s, a elevação das tarifas de importação será administrável para os produtores de aço brasileiro. Isso porque as exportações de produtos acabados (aços planos e longo) não representa 22% do volume total vendido aos Estados Unidos. “As possíveis novas tarifas não têm impacto significativo sobre os grandes produtores de aço brasileiros. A Usiminas exporta aproximadamente 15% de suas vendas totais de aço e as exportações para os Estados Unidos não são significativas. Apenas cerca de 5% do volume total de vendas de aço da CSN do Brasil são exportados. A Gerdau, por sua vez, será beneficiada, já que tem operações relevantes nos EUA, país que responde por quase 42% das receitas da companhia”, avaliou Barbara Mattos, vice-presidente de crédito sênior da agência.
A queda só não é maior porque algumas das ações mais negociadas melhoraram o seu desempenho no início da tarde. As preferenciais da Petrobras sobem 1,23%, cotadas a R$ 21,29, e as ordinárias têm alta de 0,83%, a R$ 22,96. Já os papéis da Vale recuam 1,88%.
Entre as altas, a maior é registrada pelo laboratório Fleury, com valorização de 3,62%, seguido por Marfrig, 2,95%.
No exterior, o “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, recua 0,31%. “Na cesta de moedas, o dólar recua ante as suas principais rivais e avança sobre algumas emergentes”, avaliou, em relatório, Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.
Internamente, o Banco Central anunciou ontem a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para quem vai transferir recursos para conta no exterior. Alíquota será de 1,10%.
O dia é também de fortes perdas no exterior. A Dow Jones recua 0,34% depois de cair mais de 1% e o S&P 500 agora está estável. Na Europa, as quedas são ainda mais intensas. O DAX, de Frankfurt, recuou 2,27% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, 2,39%. No caso do FTSE 100, de Londres, a queda foi de 1,47%.

